Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 17/09/2021

Joseph Goebells, um dos mais importantes ministros do governo nazista, teve por objetivo assumir a pasta da propaganda e manipular a sociedade alemã para legitimar as ações nazistas, para isso, o método usado era a propagação de informações falsas com o intuito de afirmar a superioridade ariana e a demonização dos judeus. Hodiernamente, tal ato é presente no contexto tecnológico, com propósitos diversos, mas com a mesma premissa, convencer por meio de desinformação. Essa prática é denominada fake news e seus perigos na era da informação ameaça a saúde pública no contexto da pandemia de covid-19 e questiona acerca do limite da liberdade da expressão.

Primordialmente, o cenário de pandemia do novo coronavírus trouxe uma série de especulações acerca do enfrentamento da doença como a cura, tratamento precoce e vacinas. Por consequência, inúmeras fake news foram compartilhadas de todos os temas apresentados, principalmente sobre estas últimas, e o surgimento de um movimento antivacinas cresceu consideravelmente, principalmente no Brasil. Exemplo disso é a pesquisa feita pelo Datafolha em outubro de 2020 que mostrou que apenas 75% dos brasileiros tomariam a vacina de covid-19, ou seja, 1 a cada 4 pessoas não tomariam.

Conseguintemente, o argumento que é usado como base para disseminação de que vacinas não são confiáveis ou são prejudiciais a quem toma, é a liberdade de expressão. John Stuart Mill, na obra “A liberdade” decorre que a livre expressão de ideias, falsas ou verdadeiras, não devem ser temida, nem o direito de opinião pode ser suprimido. Contudo, o filósofo não previu a realidade resultante da internet e da era da informação, na qual um pequeno grupo compartilhando ideias enganosas alcança milhões de pessoas por um simples aplicativo gratuito de celular, como o Whatsapp, que não possui nenhuma barreira ou vigilância de tais informações, induzindo os usuários a acreditarem na veracidade da informação.

Portanto, pelas problemáticas pontuadas, ficam imprescindíveis modos de modificação desse contexto. Para isso, cabe ao Poder Executivo, mediante o Ministério da Educação, aumentando investimentos conscientes de tecnologias de educação nas escolas públicas para incentivar os alunos a identificar as notícias falsas e buscar a autenticidade da informação, com isso, esses alunos possam auxiliar os pais a fazer o mesmo. Ademais, compete ao Ministério da Justiça, com o apoio do Congresso Nacional, criar leis mais severas que punam os disseminadores de fake news que ameaçam a saúde e a dignidade humana. No mais, só assim, será possível evitar com que visões como a de Joseph Goebells se espalhem e ganhem força, como foi feito na Alemanha do século XX.