Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 20/09/2021

De acordo com a teoria da Banalidade do Mal, elaborada pela filósofa judia Hannah Arendt, o pior tipo de mal é aquele que passa a ser visto como corriqueiro, se tornando parte do cotidiano. Por certo, essa compreensão é ponto-chave na análise dos perigos das “fake news” na era da informação vivenciada hodiernamente, visto que a crescente manipulação exercida pela mídia configura um desserviço à sociedade contemporânea, sendo capaz de provocar consequências desastrosas.

Primeiramente, é importante compreender que quaisquer veículos midiáticos - desde jornal até internet - possuem grande capacidade de informar e instruir, funcionando essencialmente como potenciais formadores de opinião. Nesse sentido, percebe-se que, ao longo dos séculos, a mídia tem sido, frequentemente, utilizada com propósitos de manipulação coletiva de pensamento e conduta. De fato, pode-se citar, como exemplo, o famoso ditador do século XX Adolf Hittler, que, por meio de propagandas que atestavam a suposta superioridade da raça ariana, foi responsável por um dos maiores genocídios raciais da história do mundo. Assim, nota-se como a falácia da supremacia racial funcionou, na prática, como uma “fake news”, expressão proveniente do inglês que, traduzida de forma literal, significa “notícia falsa”.

Logo, torna-se evidente que a disseminação de informações enganosas constitui grande perigo para o bem-estar social, já que promove a desinformação, o desespero e a alienação. Aliás, em um dos episódios da série britânica “Sex Education”, produzida pela plataforma americana Netflix, é contada a história de estudantes adolescentes que entram em pânico após ouvirem que a clamídia, infecção sexualmente transmissível, poderia ser transmitida por meio do ar. Dessa forma, o desespero dos alunos na série exemplificou, de forma didática, as consequências desastrosas proporcionadas pelas “fake news”. Além disso, fica evidente que a mídia, ao não proporcionar informações seguras e conscientes ao corpo social, acaba se tornando uma instituição zumbi, definida pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman como aquela que mantém sua forma, mas não cumpre seu papel social. Por isso, fica clara a necessidade de medidas que solucionem os imbróglios mencionados.

Portanto, o Ministério da Cidadania, por meio da verba obtida com os impostos pagos pela população, deverá divulgar em veículos de mídia como televisão, rádio e redes sociais na internet, diversas publicidades que informem e instruam os cidadãos brasileiros na identificação e denúncia de notícias falsas, objetivando o protagonismo da sociedade no combate às “fake news”. Só assim, agindo em prol da educação e da informação, poderá ser construído um futuro mais honesto, consciente e livre de manipulações.