Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 28/09/2021

Em 2019, uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito foi criada especialmente para questões antidemocráticas causadas por fake news, a CPMI das Fake News, inicialmente, era voltada para as manipulações nas eleições de 2018, mas, no ano seguinte, foi realizado uma cooperação com a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Pandemia, para investigar a propagação de notícias falsas no âmbito da saúde que contribuiu com o número de mortos na pandemia. Diante de todos esses eventos em restrito tempo, fica evidente os perigos das Fake News na era da informação, cujas tecnologias ampliam e intensificam os danos causados pela desinformação.

Inicialmente, é importante destacar que a disseminação de notícias falsas é uma estratégia antiga para manipular a população, que foi potencializada pelos avanços tecnológicos. Assim como o Ministério da Verdade, na obra 1984 de George Orwell, falsificava dados do passado para legitimar o poder do Partido que controlava o Estado, muitas fake news são produzidas para favorecer grupos específicos em detrimento de outros. Além disso, a velocidade das atuais tecnologias de comunicação impulsiona os efeitos dessa dominação. A exemplo disso, nas eleições de 2016 nos EUA, a candidata Hilary Clinton foi alvo de diversas fake news que afetaram instantaneamente sua popularidade, e, segundo investigações, contribuíram para a vitória de seu adversário, Donald Trump.

Por consequência, as fake news são responsáveis por propagar discursos de ódio. Elas são caracterizadas pelo tom alarmante com artifícios para ter aparência de verdade e carecem de fontes confiáveis, como a notícia que circulou no início da pandemia sobre o “vírus da China”, que dizia ser uma criação no laboratório para desestabilizar governos ao redor do mundo, o que gerou atentados contra pessoas amarelas, como o massacre na casa de banho em Atlanta, nos EUA. Por outro lado, grandes veículos de informação, como o G1, BBC e El País, não reproduziram a notícia, negaram-a e alertaram para outras desinformações a respeito do tema. Além disso, baniram todos os termos que associassem a doença a qualquer nacionalidade, para combater a xenofobia nesse contexto.

Em suma, as fake news são um grande perigo para a era da informação, pois incitam ao ódio para beneficiar grupos específicos. Por isso, o governo federal deve garantir a veracidade das notícias por meio de uma agência reguladora - sem poder de censura para não ferir a liberdade de expressão - que tenha um “selo de legitimidade” das informações, a fim de orientar seus cidadãos leitores sobre quais notícias podem acreditar e se respaldar, além de divulgar instruções sobre como identificar uma fake news. Assim, o Estado garantirá à população uma autonomia para combater os perigos da desinformação com a difusão de ferramentas e informações de educação digital.