Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 30/09/2021

No artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, consta-se a transmissão de informação como direito de todos os seres humanos, sendo dever das nações promovê-la. Entretanto, percebe-se que tal direito não é efetivamente posto em prática, em decorrência dos perigos das “Fakes News”, situação que existe devido à padronização comportamental e à falta de conscientização da população. Assim, hão de ser analisados tais fatores para mitigá-los de maneira eficaz.

Nesse contexto, a autonomia dos indivíduos faz-se comprometida por ações das mídias sociais. Segundo os filósofos alemães Adorno e Horkheimer, o conceito de “indústria cultural” está relacionado à padronização de valores transmitidos nos veículos de comunicação. Desse modo, a população, cada vez mais conectada ao “ciberespaço”, ao acompanhar as tendências e notícias nas redes sociais, entra em contato com o marketing – executado por grandes empresas que se beneficiam da difusão das informações falsas. Nessa óptica, a padronização comportamental fomenta a alienação em escala global.

Ademais, o alto número de compartilhamentos das “Fakes News” evidencia a desinformação populacional. Essa lógica é perceptível no anúncio do filósofo Francis Bacon – ao apontar que “O conhecimento é em si próprio um poder”. Nesse sentido, com a popularização dos meios comunicativos, é notório um maior acesso aos sites e blogs, que são plataformas de fácil acesso e propícias à propagação de notícias falsas que apelam para o emocional do espectador, sem a confirmação da veracidade de seu conteúdo, o que pode ocasionar em consequências como, por exemplo, o movimento antivacina - indivíduos que utilizam os conteúdos falsos para negar o uso de vacinas, o que coloca em risco a saúde dos brasileiros. Logo, mudanças coerentes nesse cenário são essenciais.

Torna-se evidente, portanto, que medidas exequíveis são necessárias para resolver tal problemática. Nessa perspectiva, é imperiosa uma ação do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, que deve criar programas de conscientização às “Fake News”, por meio das mídias, a fim de evitar a alienação. Além disso, o governo federal, juntamente ao Ministério da Educação, deve implementar um planejamento estratégico eficiente, por meio da promoção de campanhas socias, com o fito de assegurar o pensamento crítico da população e garantir a verificação das informações veiculadas socialmente. Enfim, será possível obter uma efetivação concreta na versatilidade do artigo 19.