Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 12/10/2021
Policarpo Quaresma, como de conhecimento geral, teve um triste fim. Triste, mas realista, pois sua pátria idealizada não correspondia ao Brasil real. Tanto pior seria se ele pudesse ver os atuais perigos resultantes das fake news, os quais culminaram, até mesmo, na morte de uma mulher em São Paulo, em 2014, após ser injustamente acusada de magia negra. Nesse viés, é mister entender como o déficit educacional e a massificação midiática contribuem para a problemática e impedem a construção da nação pensada pelo personagem pré-modernista.
O primeiro aspecto a se considerar é a falha didática, executada nos meios educacionais, como potencializadora dos perigos das fake news na era digital. Isso ocorre em razão dos precários métodos de ensino em vigor, os quais não propiciam aos seus alunos uma educação digital, a qual os tornem críticos frente às inverdades propagadas na internet. Tal conjuntura foi abordada pelo pedagogo Paulo Freire como a chamada “educação báncaria”, a qual visa somente a memorização de assuntos sem um processo de aprendizado que incentive a reflexão dos estudantes, sobretudo acerca de como detectar e combater as mentiras a que são submetidos no meio virtual. Como consequência disso, são formados sonsos essenciais ao sistema, os quais não se atentam a buscar a veracidade dos conteúdos consumidos e que são facilmente alienados por aqueles que caçam “likes” a qualquer custo.
Outrossim, a neutralização do senso populacional, também, corrobora a ameaça das fake news na era digital. Essa realidade acontece, pois a imprensa exerce notória influência sobre a sociedade, mediante à espetacularização de notícias. Nesse sentindo, em detrimento de contribuirem com a propagação de conteúdos verídicos e confiáveis, os meios de comunicação têm se vendido e fomentado a disseminação de boatos, visando somente o aumento do próprio lucro, por meio da manipulação dos leitores que, na maior parte dos casos, não conseguem distinguir verdades de rumores. Desse modo, é indubitável que os indivíduos vivem uma espécie de “Auschwitz do pensamento”, o qual, conforme o jornalista José Arbex, é a capacidade da indústria cultural de dominar a consciência coletiva - nesse caso, através da pós-verdade, na qual fatos objetivos perdem valor para emoções e crenças.
Portanto, diante dos riscos causados pelas notícias falsas, é necessária a atuação do MEC, bem como do Ministério das Comunicações. Assim, esses Órgãos devem garantir o combate às fake news, a partir da capacitação de professores, os quais executem uma educação digital efetiva, assim como, também, mediante campanhas, devidamente fiscalizadas, em Tvs e redes sociais, em horários nobres, as quais orientem os usuários a fiscalizarem a veracidade das informações recebidas. Tudo isso, a fim de que tais inverdades sejam obstruídas dessa era e que sejam formados cidadãos críticos.