Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 19/10/2021

Maven, personagem do livro “A Rainha Vermelha”, era um Rei e cometeu diversos crimes em seu governo, utilizando-se da divulgação de fatos distorcidos para escondê-los. Sintetizada na frase: “Eu posso colocar fogo no mundo e chamar de chuva”, a prática de Maven também pode ser facilmente observada fora da ficção durante a propagação de fake news na era da informação. Nesse contexto, os principais perigos desse problema são a alienação popular e a desvalorização da ciência.

Primeiramente, cabe destacar a falta de criticidade massiva do corpo social. Sob tal ótica, Joseph Goebbles, chefe da propaganda pró-nazista na Segunda Guerra Mundial, acreditava que uma mentira contada diversas vezes tornava-se uma verdade. Logo, quando a veiculação de fake news é muito intensa, sobretudo acentuada pelas redes sociais, a veracidade dos fatos para de ser contestada, o que inicia um processo preocupante de alienação. Além de impedir que as pessoas enxerguem os problemas da sociedade e lutem por mudanças, tristemente, tais informações demonstram que a incapacidade de pensar de forma crítica é um resultado da divulgação de notícias falsas.

Outrossim, é importante pontuar a perda de relevância das pesquisas científicas. Acerca dessa lógica, durante as campanhas de vacinação da COVID 19, observou-se uma acentuada participação do famigerado movimento antivacina no compartilhamento de notícias falsas pelas redes sociais, as quais desestimularam uma parte considerável da população a participar do processo de imunização. Os Estados Unidos, por exemplo, precisaram iniciar uma política de concessão de benefícios para que os jovens se vacinassem, enquanto, no Brasil, 10% da população sequer tomou a primeira dose do imunizante, segundo o Ministério da Saúde. Isso é surpreendente e comprova o poder das fake news na desvalorização da ciência.

Portanto, sabendo disso, o Poder Executivo e o Congresso Nacional devem promover uma política de combate às notícias falsas, por meio do acréscimo de uma cláusula a respeito das fake news no Marco Cívil da Internet, a fim de reduzir a perpetuação desse tipo de conteúdo e, consequentemente, a alienação. Ademais, o Ministério da Saúde precisa atuar em conjunto a órgãos de pesquisa científica, como a Fiocruz, no investimento em palestras online e gratuitas ministradas por cientistas, as quais expliquem didaticamente a importância da ciência à população para incentivar sua valorização. Assim, será possível que ocorra uma diminuição do número de incêndios divulgados como chuvas.