Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 19/10/2021
Em 2014, uma cidadã morreu espancada até a morte por moradores devido a um boato falso na internet, o qual dizia que uma mulher parecida com a vítima estava sequestrando crianças. Nesse viés, essa notícia, transmitida na Revista Veja e repercutida em todo o Brasil, revela os perigos das “Fake News”, notícias falsas veiculadas nas redes digitais, que podem ocasionar até a morte de indivíduos. Dessa maneira, é fundamental analisar os dois principais riscos dessa questão na era da informação: a “mutilação” da cidadania e a interferência no desenvolvimento humano dos cidadãos.
Em uma primeira abordagem, deve-se falar que no texto “Cidadanias Mutiladas”, do geógrafo Milton Santos, a democracia só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social, ou seja, à medida em que os direitos são universais e desfrutados por todos. Nessa perspectiva, no Brasil, todos os indivíduos devem ter acesso à informação, direito constitucional, o qual possibilita a formação crítica e o desenvolvimento ético e moral dos brasileiros, condições imprescindíveis para a plena cidadania. Contudo, as notícias falsas que circulam na internet podem interferir nessa questão, pois diversos cidadãos, manipulados pelas “Fake News”, usam como base para seu próprio desenvolvimento fatos incorretos. Desse modo, essas notícias falsas interferem na criticidade dos brasileiros e, consequentemente, fomentam a “mutilação” da cidadania.
Em uma segunda análise, deve-se dizer, ainda, que segundo o filósofo Michael Foucault, “o Homem é uma construção bio, psico e social”. Nesse sentido, essas três esferas devem estar em harmonia para o pleno desenvolvimento humano. Diante disso, no Brasil, onde diversas doenças, como a Febre Amarela e o Coronavírus, estão presentes entre a população, a tecnologia pode disseminar as formas de prevenção dessas enfermidades para o corpo social. Entretanto, com a presença de notícias enganosas camufladas como legítimas na internet, diversos brasileiros são instruídos de forma erronia sobre o assunto, o que impede a prevenção eficaz contra essas patologias. Nesse contexto, as “Fake News” interferem na esfera biológica dos cidadãos e, consequentemente, no desenvolvimento humano.
Portanto, as “Fake News” geram grandes perigos na era da informação. Assim, é necessário que o Ministério da Educação propague o ensino digital. Essa ação deve ser realizada, por meio da criação de um programa escolar, o qual deve utilizar as aulas de sociologia para disseminar os riscos das notícias falsas para o corpo social e para mostrar a importância de sempre estabelecer a veracidade das informações em sites jornalísticos confiáveis. Dessa forma, as notícias enganosas não manipularão mais os cidadãos, os quais não sofrerão com a “mutilação” da cidadania e com a interferência em seu desenvolvimento, além de impedir que mais casos análogos ao de 2014 ocorram.