Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 17/10/2021
Na década de 90, o biólogo Peter Duesberg, da Universidade da Califórnia, defendeu a ideia de que o uso de drogas seria o causador da AIDS. Essa inverdade acabou sendo assimilada pelo presidente da África do sul Thabo Mbek, que suspendeu a distribuição de medicamentos contra o vírus HIV, o que ocasionou a morte de 330 mil pessoas, aproximadamente. Dessa forma, é possível ver que as “fake news” não são um fenômeno recente, enretanto, com a difusão da tecnologia, as informações passaram a ser compartilhadas de forma muito mais fácil e célere, causando uma série de danos quando inverídicas, como o surgimento de grupos antivacina e difamação de certos indivíduos.
É primordial ressaltar que sempre existiram pessoas tentando questionar a eficiência e a validade dos imunizantes. Em 1998, o médico britânico Andrew Wakefield, movido por interesses financeiros, publicou um estudo falacioso na “The Lancet”, renomada revista médica, associando a vacina triplice viral ao surgimento de altismo em crianças, o que fez muitos pais não vacinarem seus filhos. Atualmente, vê-se que “fake news” como essa representam um grave problema de saúde pública, pois, com sua rápida criação e compartilhamento, elas prejudicam não somente um indivíduo, como também boa parte do corpo social, visto que quando um grupo escolhe não se vacinar, como portador de agentes infecciosos, ele acaba propagando a enfermidade para para outros grupos que também optaram por não se imunizar ou que não atingiram a idade mínima para tal feito.
Deve-se pontuar, também, o caráter difamatório das “fake news” na sociedade pós-moderna. Isso porque, ao ser criada e, posteriormente, propagada, a notícia falsa sai carregada das intenções do veículo ou indivíduo que o fez, como convencer pessoas a aprovarem algo ou serem contra determinada figura pública, e ,assim, deixar o contexto favorável aos seus interesses. As eleições norte-americanas de 2016 exemplificam esse fato, visto que noticícias falsas sobre a candidata à presidência dos Estados Unidos Hillary Clinton foram criadas com o objetivo de atingir sua integridade moral e profissional e interferir no voto do eleitor, assim, beneficiando o ex-chefe de estado Donald Trump com a vitória
Portanto, com o intuito de reduzir a circulação de “fake news”, é mister que o Governo Federal, por meio de parcerias com órgãos associados, promova campanhas públicas, tanto no meio físico quanto no digital, que visem alertar os cidadãos acerca do uso correto das ferramentas digitais e dos riscos da internet para a integridade de seu pensamento e de outrém, e incentivar a busca pelas fontes das quais a informação foi retirada.