Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 14/10/2021
“A internet foi a melhor invenção criada após a roda”. Essa frase, dita pelo teórico da comunicação Marshall Mcluhan, é representativa de uma crença do meio digital como ferramenta de evolução social. Quando debateu o assunto, Mcluhan, certamente, não considerou o uso da internet como forma de propagação de Fake News, as quais impactam gravemente a vida dos cidadãos. Sendo assim, faz-se válido refletir sobre as origens da difusão desse tipo de conteúdo, impressa na cordialidade do ser humano, bem como seu principal impacto na manipulação do pensamento alheio.
Com efeito, é importante destacar a raiz da propagação das Fake News na era da informação, alicerçada na cordialidade do homem, buscando entender seus perigos. Nesse sentido, nota-se que, assim como teorizado pelo sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o brasileiro é, essencialmente, um “Homem Cordial”, isto é, marcado por um comportamento em que a emoção se sobrepõe à razão. No contexto atual, essa característica é base para difusão de notícias que, apesar de não serem reais, geram, no indivíduo, um sentimento de identificação, concordando com a sua opinião e alimentando suas crenças. Logo, tem-se como consequência o fomento da circulação de inverdades que, segundo o MIT, é cerca de 70% maior em comparação ao compartilhamento de notícias reais.
Além disso, ressalta-se o maior perigo das Fake News: a disciplinarização do pensamento alheio. Essa questão é estudada por pensadores que vão desde Mario Sergio Cortella até José Arbex, os quais apontam o papel manipulador que a mídia exerce sobre os corpos. Nesse cenário, a notícia como forma de entretenimento cria, no cidadão, uma espécie de “Auschwitz do pensamento”, em que a mente e o corpo são manipulados em prol de uma indústria que visa tão somente o lucro, deixando de lado o papel da imprensa: a divulgação de fatos objetivos e o fornecimento de ferramentas para que o indivíduo tenha discernimento do que é certo ou errado. Tudo isso pode ser comprovado quando se tratam das eleições presidenciais americanas, por exemplo, quando a circulação de Fake News acerca da candidata Hillary Clinton levou o futuro presidente Donald Trump à vitória.
Portanto, urge que o Ministério de Ciência e Tecnologia atue, juntamente à mídia e ao Ministério da Cidadania, na ampliação da Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil. Tal ampliação incluirá a criminalização da criação e da divulgação de notícias falsas, sob pena variável, bem como a criação de um canal de comunicação direta para denúncia desse tipo de atitude. Isso deve ocorrer mediante o redirecionamento de 3% do PIB brasileiro para a estruturação do projeto e maximização do alcance do recurso, visando a minimizar os casos de Fake News e os perigos associados a eles e contribuindo para a construção de uma sociedade digitalmente educada, como idealizara Mcluhan.