Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 18/10/2021

A frase “uma mentira contada mil vezes torna-se verdade” de Joseph Goebbels, ministro responsável pela propaganda no contexto da Alemanha nazista, expõe um importante artifício da época para propagar seus ideais que, infelizmente, não permaneceu no passado. Afinal, essa realidade em que as fake news propiciam um ambiente pouco confiável foi importada para o presente e intensificada através da rápida disseminação nas redes sociais. Tal cenário é bastante preocupante pois gera desinformação em massa por parte da população, e torna o ambiente digital significativamente inseguro.

Em uma primeira analise, fica claro que pouco são checadas as fontes de uma publicação nas redes sociais, se a mesma tem um elevado número de curtidas já é quase que tida como verdade e automáticamente compartilhada, e assim nasce um discurso falacioso. Esse fenômeno onde o compartilhamento é influenciado pelo engajamento pode ser explicado pela alegoria do efeito manada, elaborada pelo psicólogo Dan Ariely, que atesta a tendência dos seres humanos de repetirem as ações de seus semelhantes por criar uma falsa sensação de segurança ao agir em grupo. Contudo, fica claro quanto às fake news que esse comportamento agrava seriamente um problema que prejudica à todos por dar continuidade a uma inverdade ao passo que se as respectivas fontes fossem checadas, haveria um basta.

Ademais, faz-se de suma importancia ressaltar que o deficitário supervisionamento da veracidade das informações transmitidas nas mídias sociais torna a população mais suscetível a absorver a mentira publicada e agir de acordo com o que aquela informação quis induzir ao leitor. A respeito disso, o documentário de 2019 “Privacidade Hackeada” ilustra a realidade vivida pelos Estados Unidos nas eleições de 2016, onde dados digitais foram ultilizados para manipular, atráves de notícias falsas, as atitudes do usuário em detrimento de interesses particulares. Esse cenário, além de ferir os direitos de privacidade da sociedade como um todo, é inadmissível por ludibriar, podendo gerar caos, a população, e deveria ser formalizado como crime.

Portanto, a fim de tornar o que se é compartilhado mais confiável, as redes sociais, como por exemplo o twitter, devem investir em ferramentas que vetem a propagação da notícia caso o leitor não tenha de fato abrerto o texto para averiguar se suas fontes são verídicas, além de alertar os usuários sobre o perígo das fake news. Além disso, objetivando acabar com a impunidade daqueles que praticam esse tipo de transgressão, cabe ao Governo federal formalmente declarar a propagação de fake news como crime digital e investir mais em tecnologia para criar uma rede de fiscalização online para, assim, poder reaver um ambiente que um dia serviu para informar e não ludibriar.