Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 17/10/2021
O livro “1984”, de George Orwell, explicitou o dilema vivido por uma sociedade hipotética em um cenário de distopia tecnológica. Na trama, os indivíduos eram manipulados com informações falsas e dados deturpados que corroboravam com a política ideológica do Governo vigente. Ao sair da literatura, no que tange ao mundo atual, percebe-se que tais contextos são separados por fio tênue, visto que os meios de comunicação digitais propiciam a perpetuação das fakes news, as quais manipulam a sociedade nas mesmas proporções do panorama da obra literária. Assim, é imprescindível analisar a suscetibilidade social às “fakes” e o principal desdobramento de tal problemática.
Dessa maneira, ressalta-se a notória submissão do corpo social às mentiras no meio digital. Nesse sentido, no que diz respeito à disseminação de fakes news, nota-se a ocorrência de atitudes passivas pela sociedade que, sem ao menos questionar a legitimidade das informações, aceita e compartilha essas mentiras. Isso ocorre porque, ao tomar como parâmetro o crescimento exponencial do aparato tecnológico, evidencia-se o anacronismo de uma educação digital que, quando existe, não acompanha esse processo. Sob essa ótica, em sua teoria intitulada “Globalização Perversa”, o geógrafo Milton Santos expõe o fato de que problemas como as “fakes” são apenas reflexos de uma tecnologia vendida e idealizada como “fábula”, mas que, ao desconsiderar os moldes sociais em que é inserida, torna-se nociva.
Ademais, é válido pontuar o perigoso controle ideológico pautado na utilização das fakes news. Nessa perspectiva, ao se considerar lapsos históricos como o “Acta Diurna” romano (espécie de jornal fraudulento criado pelo imperador Júlio César) e o programa de rádio getulista “A Voz do Brasil”, cada um representando, em seu momento cronológico, a utilização de informações falsas como garantia da manutenção dos espaços de poder, é possível inferir o potencial coercitivo das “fakes” instituídas nos meios digitais contemporâneos. Isso porque, assim como no passado, o homem tende a utilizar os artifícios disponíveis para propiciar sua superioridade diante dos outros e a propagação tecnológica, por ser instantânea, intensifica tal conjuntura.
Logo, ações para mitigar o perigo das fake news na Era da Informação são necessárias. Para isso, é dever da Imprensa socialmente engajada, por seu grande alcance populacional e sua responsabilidade social, a implementação de um projeto publicitário educativo nos dissipadores da cultura de massa. Tal projeto deverá ser viabilizado por meio de intervenções lúdicas que exclamem aos indivíduos as consequências da disseminação de fakes news e que ensinem esses a reconhecer tais mentiras. E isso a fim de excluir da sociedade a manipulação ideológica por fakes e garantir uma globalização ideal.