Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 19/10/2021

Na música “Admirável Chip Novo”, a artista brasileira Pitty alude à manipulação das ações humanas em razão das tecnologias, como elucidam os versos: “Pane no sistema/ alguém me desconfigurou/ onde estão meus olhos de robô?”. Fora das cifras, essa situação não destoa, visto que o Brasil, na era da informação, é constantemente bombardeado pelos perigos das “Fake News”. Tal cenário decorre de um processo histórico de interesses elitistas, os quais foram perpetuados até a modernidade.

Sob essa perspectiva, é importante destacar que as “Fake News” não são um transtorno recente no território brasileiro. Nesse viés, cabe relembrar a Era Vargas, quando o governo vigente divulgou no programa de Rádio “Hora do Brasil” que o país estava sob ameaça do “Plano Cohen”, o qual comandava uma revolução comunista no Brasil. Entretanto, o plano mencionado fora uma estratégia estatal—por meio da falsificação de documentos — para que o Presidente desse um Golpe de Estado. Assim, observa-se que a manipulação informacional está ligada ao individualismo, de forma a prejudicar uma população em detrimento dos privilégios de uma oligarquia.

Outrossim, é válido ressaltar que os perigos das “Fake News” não ficaram no passado, já que o avanço das tecnologias potencializaram o problema no Brasil. Segundo o sociólogo francês Pierre Bourdieu, aquilo que foi criado como instrumento democrático não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Contudo, tal pensamento é deturpado, visto que, no século XXI, a velocidade de comunicação com as mídias digitais veio acompanhada de notícias falsas, a fim de divulgar produtos ou descredibilizar uma figura pública, como ocorreu nas eleições de 2018, quando o  candidato Fernando Haddad foi acusado de distribuir um “Kit Gay” nas escolas, com o suposto intuito de persuadir as crianças brasileiras.

Logo, faz-se mister que medidas sejam tomadas para amenizar os perigos das “Fake News” no território brasileiro. Assim, cabe à Polícia Federal, em parceria com a Agência Nacional de Telecomunicações, fiscalizar e investigar, rigorosamente, empresas e líderes políticos que financiam a propagação de notícias falsas em larga escala. Isso deve ocorrer por meio de operações cibernéticas, contando com jornalistas investigativos e cientistas da computação, para identificar os envolvidos nessa problemática. Assim, espera-se que os mecanismos de democracia não sejam mais convertidos em aparelhos de opressão.