Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 19/10/2021

Em 1937, Getúlio Vargas divulgou o Plano Cohen, suposta tentativa de tomada do poder pelos comunistas. Entretanto, tal revolta era uma notícia falsa usada para aterrorizar a população e justificar um golpe de estado para instalar uma ditadura. Essa prática, contudo, não está restrita a esse contexto, uma vez que, com a criação de novos meios comunicação, especialmente com o advento da internet, a propagação de fake news tornou-se mais intenso. Dessa maneira, é importante analisar os perigos que tais mentiras trazem para a população, como a difusão de discursos de ódio e o risco a saúde popular.

Primeiramente, é váldo destacar que um dos principais perigos das fake news na era da informação é a difusão de manifestações hostis e violentas. Tal concepção baseia-se na teoria da “Moral de rebanho”, do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, o qual afirma que o comportamento humano é submisso e irrefletido, ou seja, os indivíduos imitam ações e pensamentos sem antes refletirem sobre tais atos. Nesse sentido, percebe-se que a fragilidade crítica dos sujeitos facilita a atuação de instrumentos de manipulação, os quais propagam, muitas vezes, discursos de ódio contra pessoas, instituições ou grupos, buscando, assim, difamar e “cancelar” as vítimas. Dessa forma, as pessoas, ao entrarem em contato com essas mentiras, não procuram saber se essas informações são realmente verdadeiras, só aceitam, passam a difundí-las e realizam ataques contra o caluniado, formando, desse modo, uma população baseada na crueldade e na indiferença.

Ademais, é necessário ressaltar que outro grave perigo das fake news na era da informação é o risco a saúde e a integridade da população. Tal perspectiva está relacionada à teoria da “Terceirização da interpretação da realidade”, do jornalista Leonardo Sakamoto, o qual afirma que a sociedade não interpreta mais as mensagens recebidas, ela terceiriza as ideias expostas. Esse cenário só é possível pois, segundo a Folha de São Paulo, somente 8% dos brasileiros sabem ler e escrver de forma proficiente. A partir dessa triste realidade, percebe-se que a falta de senso crítico dos sujeitos facilita a manipulação e a proliferação de notícias falsas, como as informações referentes aos movimentos antivacina, as quais instigam a adoção de atos que prejudicam o bem-estar pessoal e social.

Logo, para que as fake news sejam suprimidas, as escolas, principais instituições responsáveis por formar os indivíduos, devem promover a educação digital, mediante a criação de aulas de informática que orientem os alunos a utilizarem a internet de forma segura e eficaz, a fim de criar uma sociedade mais crítica. Ademais, a mídia precisa combater as notícias falsas, por meio de propagandas educativas que mostrem os perigos que tais mentiras podem causar, como para a saúde social, além de destacar formas de indenticar tais calúnias, para que, assim, a “moral de rebanho” seja superada.