Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 18/10/2021

No livro ‘‘1984’’ de George Orwell, é apresentado um futuro distópico em que um estado autoritário ao extremo manipula toda forma de registro histórico e contemporâneo. Na trama, o contraditório Ministério da Verdade é responsável por alterar, diariamente, notícias e conteúdos midiáticos para favorer a imagem do partido. Ao sair da ficção, percebe-se que tal estratégia de divulgação de notícias falsas é comumente utilizada por governantes do século XXI. A partir desse viés, é necessário analisar como essa prática corrobora para a manutenção do poder na atualidade e suas implicações para o meio social.

Nesse sentido, é fato que as Fake News são uma tendência crescente por serem um eficiente mecanismo para manter o status de privilégio. Isso acontece porque a manipulação da informação facilita a perpetuação dos ideais das oligarquias políticas, as quais, por meio do compartilhamento instantâneo, podem controlar sociedades que não possuem consciência da sua própria condição social. Ademais, é evidente que a difusão de dados falsos não é fruto apenas da presença da internet, pois já no século XX, através do Plano Cohen, cartas falsas eram divulgadas pelo Governo Vargas no intuito de manipular a população ao seu favor, utilizando-se de jornais para atingir o público alvo. Dessa forma, é inegável que essa prática é reflexo de processos históricos.

Além disso, é evidente que as Fake News facilitam a perpetuação das mazelas sociais. Isso ocorre na medida que o homem está inserido em um meio altamente globalizado, no qual as informações são - como já retratado até na arte vanguardista futurista de Marinetti - repassadas em grandes velocidades, permitindo assim, manipulação no comportamento dos indivíduos que não conseguem discernir as ideias antes delas tornarem-se obsoletas. Sob tal ótica, percebe-se que detentores de poder abusam da disseminação de notícias falsas a fim de atingir interesses particulares, por meio da alienação do corpo civil, o qual é instruído a eleger governantes que, assim como poetizado por Gregório de Matos ‘’não sabem governar a própria cozinha, mas podem governar o mundo inteiro’’.

Nota-se, portanto, que as Fake News na era da informação devem ser combatidas. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação (MEC) em parceria com a Mídia, crie, por meio de verbas do tribunal de contas da União, campanhas publicitárias em TV aberta que alertem os indivíduos do perigo da alienação, sugerindo ao interlocutor desenvolver o hábito de buscar informações de fontes variadas e seguras. Tal ação pode, ainda, ser divulgada nas redes socias, como o instagram, para atingir mais pessoas. Somente assim, a realidade apresentada no livro não mais refletirá o cenário do século XXI.