Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 28/10/2021
“A verdade nada mais é do que um efeito do discurso”, diziam os pós-estruturalistas. De fato, na hodiernidade, o efeito devastador das “fake news” vem frequentemente atrelado à imagem de uma figura carismática ou de uma linguagem seduzente. Embora muito subestimada, as notícias falsas têm o poder de manchar definitivamente a honra de alguém ou mesmo definir o resultado de uma eleição. Há a necessidade, portanto, de analisar sua causa e consequência no milênio digital.
Mormente, muito além do texto enganoso em si, o modo de propagação dessas “falsas novas” também é essencial para seu estrago nefasto à sociedade. Acerca disso, colabora o estrategista político Steve Bannon, quem, em um áudio interceptado pela mídia americana, admitiu que lançava mão das “fake news” pela visibilidade que a TV dava ao teor ridículo dessas. Com efeito, o conteúdo das “novas” é, muitas vezes, irrelevante, já que aquilo que é realmente importante é sua presença irrestrita nos meios de comunicação. Assim, em um país onde há, em média, 2 celulares por habitante, segundo a Fundação Getúlio Vargas, essa estratégia encontra terreno fértil, devido à facilidade de divulgação desse material. Logo, fica evidente que a “desconstrução” de tais discursos inverossímeis por sites de “checagem”, por exemplo, é um caminho pouco eficiente para lidar com esse problema no Brasil.
Outrossim, a divulgação dessas produções é deletéria também para os meios jornalísticos tradicionais. Sobre isso, já alertava Kant, em seu artigo sobre o dilema ético do falso testemunho, que a mentira tem consequências negativas que superam o contexto local em que está inserida. Segundo o filósofo, não falar a verdade enfraquece a sociedade como um todo, visto que minimiza a confiança interpessoal. Tal efeito é evidente no meio virtual, porque, cada vez mais, jornais tradicionais vêm compartilhando os veículos digitais junto a fontes duvidosas, atraindo, assim, parte da má fama dessas últimas. Por exemplo, quando um tema vai aos “assuntos do momento” do Twitter, essas duas categorias são vistas lado a lado, como de igual prestígio. Apesar disso ser um insulto ao jornalismo competente, as plataformas não demonstram nenhum interesse de intervir nesse fenômeno.
Destarte, exploradas a causa e a consequência dessa conjuntura, é papel das redes sociais, em especial o Twitter, por meio de uma modificação de seu algoritmo, impedir que “fake news” apareçam nos “assuntos do momento”. Ao invés da política atual de visibilidade indevida, deve haver a ofuscação desse conteúdo, de forma a impedir que usuários de má fé tomem proveito da eficiência desses sites. Por fim, também é dever do Congresso, mediante revisão do artigo 41 da “lei das Contravenções Penais”, prever uma pena de restrição de liberdade para aqueles que divulgam falsos boatos, visando a desincentivar tal prática e coibir a manipulação do discurso tão explorada pelos pós-estruturalistas.