Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 18/10/2021

Na década de 1930, Getúlio Vargas elaborou, junto ao exército, o Plano Cohen, um falso artigo com premissas de que comunistas queriam desestabilizar a ordem e tomar posse do poder. Paralelo a isso, a propagação de notícias falsas no Brasil é um problema crescente, intensificado pelas redes sociais que contribui para a desinformação da população. Diante dessa perspectiva, a banalização e a escassez de políticas públicas agravam esse fenômeno.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a naturalização como um obstáculo. Sob esse viés, segundo a filósofa francesa Simone de Beauvoir, “o mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Nessa sentido embora as Fake News auxiliem na manipulação de comportamentos, no estímulo ao preconceito, no agravamento de surto de doenças e na criação ou aumento de um sentimento de revolta, por mais escandalosa que seja essa situação, poucos são os esforços destinados a resolvê-la. Desse modo, a mediocrização acerca do tema favorece a ignorância em não pesquisar, denunciar ou distinguir o que é falso sobre aquilo que se apresenta como verdadeiro na era da informação. Logo é inadmissível que esse cenário continue a perdurar, visto que, de acordo com o Ministro da Propaganda na Alemanha Nazista Joseph Goebbels, “uma mentira quando repetida mil vezes acaba se tornando verdade”.

Ademais, é fundamental apontar a carência de políticas públicas como impulsionador da questão. Nesse âmbito, conforme o filósofo Thomas Hobbes, esse contexto configura-se como uma violação de sua teoria de “contrato social”, já que o Estado não cumpre com o seu dever de garantir os direitos necessários para o bem-estar dos indivíduos. Nessa lógica, é função do Estado alertar e propagar os conhecimentos necessários para impedir o repasse de notícias falsas. Todavia, a ausência de medidas e investimentos para limitar essa prática nas redes de comunicação, tornam a resolução desse contratempo distante e agrava a situação. Assim, o controle desse fenômeno é primordial para o progresso do conhecimento humano, dado que, segundo a empresa de cibersegurança Kaspersky, 62% dos brasileiros não sabem reconhecer Fake News.

Dessa forma, medidas são necessárias para combater esse impasse. Para isso, cabe ao Governo, em parcerias com as mídias, realizarem a elaboração de uma campanha publicitária, por meio de anúncios transmitidos nos canais de televisão e mídias sociais, com o objetivo de ajudar na identificação e divulgar as consequências das notícias falsas, além de incentivar a denúncia desse ato, afim de diminuir os casos de Fake News no Brasil. Portanto, se consolidará uma sociedade mais abrangente, na qual o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma Thomas Hobbes.