Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 18/10/2021
Uma postura alienada perante as adversidades existentes. É isso o que se vê nos personagens do livro “1984” do escritor George Orwell. Contudo, essa ausência de senso crítico não se limita a uma obra distópica, já que, na realidade, alguns segmentos políticos e sociais não têm compreendido efetivamente a gravidade, por exemplo, da disseminação de notícias falsas no país, dificultando, assim, a sua resolução. Por esse viés, é imprescindível analisar essa questão no Brasil.
Em primeiro lugar, observa-se que falta ao Poder Público informar a população como verificar, de forma crítica, a credibilidade dos conteúdos recebidos por meio das redes sociais e a importância desse ato. Isso porque um indivíduo pode sentir o desejo de se informar pela internet sobre determinado assunto. Entretanto, o receio de não saber avaliar adequadamente a veracidade dos fatos noticiados nesse espaço tende a se configurar como um elemento de inibição. Fundamentando-se nos estudos psicanalíticos de Sigmund Freud para explicar esse fenômeno, constata-se que o ser humano vive em constate conflito entre os impulsos inconscientes e a consciência dos limites sociais.
Ademais, enfatiza-se a ausência de engajamento coletivo para se alcançar, realmente, uma sociedade sem o perigo da propagação de “fake news”. Como prova, nota-se a inércia de parte da população em não lutar por assistência estatal, posto que falta oferecer auxílio jurídico para as vítimas de tais informações inverídicas, comprometendo, dessa forma, a consolidação do direito à integridade moral, por exemplo, daqueles caluniados. Tomando as reflexões do sociólogo Zygmunt Bauman para explicar esse cenário, percebe-se que, em virtude do pessimismo que se intensificou após a Segunda Guerra Mundial, as pessoas passaram a negligenciar os problemas comunitários.
Convém, portanto, ressaltar, que a carência de combate às notícias falsas deve ser superada. Logo, é necessário exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, a conscientização social, priorizando projetos educativos realizados em escolas, com o objetivo de ensinar, desde cedo, os cidadãos a reconhecerem informações caluniosas nos textos ou nas mídias recebidos via internet de forma eficiente. Além disso, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas produzidas por ONGS, sobre a importância de se adotar uma postura não resignada diante dessa problemática, potencializando, assim, a mobilização coletiva em prol de auxílio jurídico, a partir da Defensoria Pública, para aqueles que tiveram sua moral prejudicada pela divulgação de alguma “fake news”. Desse modo, a falta de senso crítico perante as entraves existentes poderia ficar restrita ao livro “1984”.