Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 18/10/2021

George Orwell, escritor britânico, disserta em seu livro “1984”, sobre a manipulação da verdade para ganhos pessoais. Nesse sentido, o “Grande Irmão”, principal antagonista da trama, muda constantemente a história, de modo a negar guerras e inventar atos de benevolência. De forma análoga, hodiernamente no Brasil, grandes corporações e grupos apelidaram essa estratégia de “fake news” e fazem dela a principal forma de obter resultados, mesmo que isso machuque pessoas inocentes. Pode-se dizer, então, que a falta de vigilância nas redes sociais e de educação digital da população são os principais responsáveis pelo quadro.

Em primeira análise, deve-se ressaltar a falta de vigilância e punição perante informações falsas na internet. Segundo o governo dos Estados Unidos, em 2018 o Facebook, “pai” das redes sociais, foi processado por utilizar dados de milhões de pessoas de forma ilegal. Dissonante à facilidade de obter dados supracitada, criadores de fake news ficam em pune, já que governos afirmam que é impossível rastreá-los. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do contrato social, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a segurança e bem estar na internet, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, o lapso da educação digital da população torna-se crucial para a disseminação das fake news. De acordo com dados oficiais do governo americano, a internet foi criada no período da guerra fria como um item militar de comunicação. Diante de tal exposto, 50 anos depois do período de criação da internet, apenas uma parcela da população brasileira tem acesso ao uso desse item e uma minoria sabe devidamente como utilizá-lo, o que os deixa mais suscetíveis a informações falsas e meias verdades, disseminando-as ainda mais.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para o fim das informações infundadas, urge ao Ministério da Economia, por meio da Secretaria de Governo Digital, aumentar a fiscalização nas redes, investindo em tecnologias de ponta, como a descriptografia, a fim de identificar criminosos que divulgam informações prejudiciais e maléficas. Também, é fulcral que o Ministério da Educação, por meio das escolas, realize palestras sobre a identificação de informações falsas, de modo a diminuir a propagação dessas. Somente assim, o futuro distópico de 1984 não acontecerá.