Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 18/10/2021

O filósofo Platão, na “Alegoria da Caverna”, narra a existência de homens prisioneiros da própria ignorância, os quais se recusavam a conhecer o mundo exterior. Fora da ficção, as fake news configuram uma espécie de “caverna moderna”, uma vez que são capazes de manipular os indivíduos e alimentar preconceitos, o que dificulta a compreensão racional.

Em primeira análise, é válido ressaltar o perigo das notícias falsas referente à manipulação dos indivíduos. De acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu, aquilo que foi criado como instrumento de democracia, não deveria ser convertido em ferramenta de controle. Isso significa que, em sua gênese, o caráter liberal dos meios digitais teria de ser inalterável. No entanto, pessoas e instituições utilizam essas ferramentas, sobretudo a internet, para propagar fake news. Essa disseminação, em um território onde apenas 8% da população tem plenas condições de compreender o que se lê (UOL), torna os cidadãos passíveis ao comando dos poderes dominantes socialmente.

Outrossim, a difusão de fake news contribui para alimentar preconceitos na sociedade. Durante a Segunda Guerra Mundial, os nazistas criaram a revista Signal, a qual reforçava a hostilidade em relação às minorias da época, como judeus e negros. Isso foi possível graças à tendência das pessoas em acreditar em informações que condizem com a sua visão de mundo e descredibilizar aquelas que desconstroem essa percepção. Sob essa perspectiva, hodiernamente, entidades se valem da divulgação de notícias falsas, utilizando, com frequência, manchetes alarmantes para perpetuar a repressão. Essa manutenção é favorecida pela superficialidade do processo de leitura, o que conduz os cidadãos a se tornarem reprodutores de ofensas e discriminações, passíveis a tudo o que alimenta suas ideias, mesmo que de forma nociva, incapazes de questionar e buscar fontes confiáveis.

Em vista disso, a fim de amenizar os perigos das fake news na era da informação, é dever do Governo Federal, aliado ao Ministério da Educação, elaborar uma cartilha informativa sobre como desconfiar e reconhecer uma notícia falsa em âmbito virtual. Essa atividade deverá ser instituída em centros educacionais e comunitários e terá como objetivo diminuir a manipulação advinda das falsas referências. Ademais, cabe também ao Estado, em parceria com as forças militares investgativas e a mídia, instituir um mapeamento virtual capaz de desmascarar e punir sites, páginas e perfis propagadores de fake news. Esses canais deverão contar com a denúncia popular e com o trabalho de técnicos em tecnologia da informação, os quais, a partir de parâmetros preestabelecidos, identificarão os criminosos. Essa repreensão deverá vir em forma de multa, e, em casos graves, reclusão penal. Dessa forma, será possível, aos indivíduos, saírem da “caverna” para a compreensão racional.