Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 10/11/2021
O processo de globalização, intensificado após o fim da Guerra Fria, proporcionou a integração das diversas partes do mundo, rompendo barreiras de distância e tempo. Como resultado desse fenômeno, adentrou-se na chamada Era da Informação, na qual o desenvolvimento tecnológico possibilitou o acesso facilitado desse importante recurso. Nesse contexto, as Fake News despontam como um dos maiores perigos da atualidade, pois as pessoas estão suscetíveis a aceitar credulamente o que é apresentado como fato, já que não são devidamente instruídas a checar a veracidade de notícias, tornando-se, portanto, vulneráveis à manipulação de indivíduos mal intencionados.
Relacionado a esse efeito de credulidade como uma tendência, o estudioso Carl Sagan defende, em seu livro “O Mundo Assombrado pelos Demônios”, que os seres humanos tendem a aceitar aquilo que lhes é entregue como verdade sem realizar muitos questionamentos porque os fatos tendem a ser mais complexos e exigirem um maior esforço para seu entendimento. Tendo isso em mente, fica evidente a existência de uma lacuna educacional, que peca por não estimular o olhar crítico como uma forma de buscar o verdadeiro conhecimento e se proteger dos reais demônios da modernidade: as Fake News.
Por esse viés, entende-se que o comportamento supracitado, de não questionamento, torna-se tão potencialmente danoso devido às grandes proporções que pode assumir, dada a velocidade na qual as informações falsas se espalham. Um exemplo disso está no curso das eleições presidencialistas de 2018, em que os apoiadores de determinados partidos se utilizaram desse recurso com o intuito de disseminar ideias pejorativas sobre seus oponentes, acarretando na sua perda de votos. Tal acontecimento demonstra o impacto de acreditar e repassar conteúdos sem verificar sua autenticidade; para além de danos individuais, pode-se mobilizar o comportamento de grupos e influenciar o futuro de uma nação.
Diante disso, fica evidente que medidas devem ser tomadas para modificar tal realidade. Cabe, portanto, ao Ministério da Educação, se encarregar de instituir um projeto de lei que determine a inclusão de aulas sobre o uso correto das tecnologias de informação, visando a obtenção de informações confiáveis, no ensino médio e superior. A estratégia em questão deve ser aplicada preferencialmente na instrução de jovens e adultos, por serem esses os responsáveis por disseminar a maior parte das informações falsas no ambiente virtual. Assim, por meio do papel transformador da educação, poder-se-á caminhar rumo a um futuro mais confiável, no qual decisões importantes sejam orientadas pela verdade e, dessa forma, tomadas com mais consciência.