Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 05/10/2022
Segundo o filósofo contratualista John Locke, é dever do Estado promover medi-
das que garantam a segurança e o bem-estar social.Todavia, a ampla disseminação
de “Fake News” na era da informação e os seus riscos para a ordem geral tornam a norma do autor uma utopia, pois privam as pessoas de desfrutarem integralmente das garantias defendidas pelo pensador. Com efeito, cabe avaliar as principais cau-sas desse entrave, que são a ineficiência legislativa e a invisibilidade da questão.
Dessa forma,em primeira análise, vale destacar a insuficiência constitucional como um fator determinante. Sob essa ótica,Gilberto Dimenstain, escritor e jornalista na-cional, explica que as leis brasileiras são inefetivas, o que gera uma falsa sensação de cidadania. A crítica do autor, de fato, consolida-se na hodiernidade, visto que, mesmo com a presença de normas que proibam a disseminação de falsas infor-mações, a questão das “Fake News” nos meios informáticos é preocupante. Como exemplo disso, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) avalia que, a partir de 2018, as falsas notícias tiveram grande peso nas eleições do país, comprometendo o viés democrático da nação. Assim, é urgente que a cidadania de papel -de que o jorna-
lista fala- seja superada.
Ademais, a invisibilidade da questão é um desafio presente na causa. Sob tal pre-
missa, a socióloga Djamila Ribeiro diz ser necessário fornecer visibilidade a uma si-
tuação para que soluções sejam promovidas.Há, no entanto, um silenciamento ins-taurado no que diz respeito aos perigos das falsas notícias na era da informática, haja vista que esse assunto raramente é discutido na mídia nacional, gerando um cenário de desinformação. Sobre essa análise, vale destacar que o tema é comen-
tado em alguns meios, mas não é suficientemente esclarecido, deixando várias dúvidas, como formas de reconhecer e denunciar o crime. Dessa maneira, urge ti-rar esse revés da obscuridade para agir sobre ele, como defende Djamila.
Portanto, é fulcral combater esse problema. Para tanto, cabe ao Ministério das Comunicações -importante regulador dos meios midiáticos- promover visibilidade à causa,por meio de programas e anúncios televisivos, visando à disseminação de informações. Outrossim, o Estado deve rever suas leis, objetivando efetivá-las. Des-
tarte, ter-se-á um Brasil diferente daquele retratado por Dimenstain.