Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 17/10/2022
“O amor por princípio, a ordem por base, o progresso por fim”. Esse lema, formulado pelo filósofo francês Auguste Comte, inspirou a frase “Ordem e Progresso” exposta na bandeira nacional. No entanto, o cenário desafiador vivenciado no Brasil representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que as fake news - grave obstáculo a ser enfrentado pela sociedade – resulta na desordem e no retrocesso do desenvolvimento social, que persiste, em virtude da falta de debate e da insuficiência legislativa.
A princípio, o problema encontra terra fértil na falta de debate. Assim sendo, Jürgen Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que um óbice como esse seja resolvido, faz-se necessária a discussão sobre ele, já que o diálogo cria base para solução e colaboração de problemas como o da difusão de notícias falsas. Contudo, percebe-se uma lacuna no que se refere à questão, que ainda é muito silenciada.
Em segunda análise, é indubitável, nesse contexto, que a questão da insuficiência legislativa esteja entre as causas do problema. Conforme Thomas Jefferson, a aplicação das leis é mais importante que a sua elaboração. Então, a perspectiva do filósofo aponta para uma falha muito comum das sociedades: acreditar que a criação da lei em si – por exemplo, a Lei das Fake News, aprovada pelo Plenário - pode resolver problemas complexos, como a dificuldade de limitar informações enganosas. Assim, o que se verifica é uma insuficiência da legislação, se esta não vier atrelada a políticas públicas que ajam na base cultural do problema.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para a mudança no cenário. Como solução, é preciso que as escolas, em parceria com as prefeituras, promovam, no ambiente escolar, um espaço para debates sobre a circulação de fake news. Esses encontros podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e convidados especialistas no assunto. Ainda, tais eventos não devem se limitar aos alunos, mas serem abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas a esse mal e se tornem cidadãos.