Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 24/10/2022

Na obra “1984”, do escritor George Orwell, a sociedade distópica da Oceania tinha seus meios de comunicação controlados pelo Ministério da Verdade. Contudo, a única função, do referido Ministério, era manipular e divulgar informações falsas sobre o contexto social. Análogo à obra, a nova era da informação mundial também observa cenário similar quanto as “fake news”, todavia, essas são produzidas pela própria população, o que é grave. Diante desse cenário, é necessário analisar como essas se disseminam, bem como seus riscos.

De início, as “fake news” têm como propulsor o repasse da informação sem análise de veracidade. Em 1994, o Brasil assistiu ao caso da “Escola Base” em que os donos do colégio foram acusados de violência sexual contra os alunos. Os proprietários sofreram ameaças de morte e tiveram casa e escola depredadas, porém, a acusação não passava de um boato fantasioso, conforme comprovado pela polícia à época. Desse modo, os cidadãos, ao reproduzirem notícias sem fonte segura, acabam por atuar como vetores de “fake news” e colocam seus semelhantes em risco.

Ademais, o crescimento exponencial do uso de “smartphones” propicia o ambiente para a ação de notícias falsas. Consoante o filósofo Byung Chul Han, os celulares são instrumentos de dominação moderno e agem como rosários. Sob essa ótica, os usuários de tal tecnologia recebem a todo momento informações, em volume muito superior ao que pode ser filtrado. Dessa forma, o repasse de notícias falsas ocorre de forma naturalizada, pois, não há tempo hábil para verificar se o fato narrado é verdadeiro, o que permite a livre proliferação desse mal.

Depreende-se, portanto, que as “fake news” impõem um risco à vida social e necessitam ser combatidas. À vista disso, é dever do Poder Executivo — responsável pela mediação das relações sociais — atuar para impedir o compartilhamento de informações falsas. Isso pode ser feito por meio de campanhas publicitárias que instruam à população a adotar uma postura crítica no repasse de tais notícias, bem como alertar dos riscos de divulgar mentiras sobre pessoas e situações, a fim de evitar casos de violência e violação de direitos de personalidade. Assim, casos como da “Escola Base” não se repetirão.