Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 07/11/2022
Segundo Émile Durkeim, sociólogo francês, os fatos sociais podem ser normais ou patológicos. Seguindo essa linha de raciocínio, observa- se que um ambiente patológico em crise rompe toda a harmonia social, visto que um sistema corrompido não favorece o progresso coletivo. Infelizmente, no Brasil, existem diversas dessas situações de disfunção, dentre elas, os perigos das Fake News na era da informação, Faz- se, então, pertinente debater acerca de tal assunto, considerando a inoperância estatal e suas consequências.
De início, conforme Nicolau Maquiavel, no livro “O príncipe”, para se manter no poder o governo se propõe à obrigação de operar e ter como objetivo o bem universal. Em contra partida, apesar de existirem projetos de lei que dispõe sobre a tipificação criminal do compartilhamento de informações enganosas, justificada pelo deputado Luiz Carlos Hauly, em 2017, observa- se que não houve aplicação correta dessa lei, à medida que não ocorre a devida fiscalização e procura dos responsáveis pela criação de determinadas notícias.Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Em segundo plano, há de se constatar a ineficaz ação do Poder Público enquanto mantenedora da problemática. Acerca disso, o filósofo inglês Thomas Hobbes, em seu livro “Leviatã”, defende o dever do Estado em proporcionar meios que auxiliem o progresso da coletividade. As autoridades, contudo, vão de encontro com a ideia de Hobbes, uma vez que possuem um papel inerte em relação ao crescente número de vítimas que recebem notícias falsas alarmantes e se tornam colaboradoras, sem perceber, ao repassar para familiares e amigos.
Portanto, urge a alteração estrutural para que a mácula seja resolvida. Assim, cabe ao governo federal, na figura do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, proporcionar a inclusão da educação digital na grade curricular do ensino fundamental a fim de diminuir criticamente a quantidade de pessoas sem consciência dos perigos das fake news. Tal programa deve ser custeado e aprovado pela Corte de Contas de cada estado, para entrar em vigor por meio da abertura de concursos públicos que determinarão quais professores serão selecionados. Por conseguinte, o elemento patológico que Émile Durkeim prevê, seria resolvido.