Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 08/11/2022

O jornalista Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, afirmou que a consolidação de uma sociedade democrática exige a garantia dos direitos fundamentais de um povo. Entretanto, ao observar a disseminação de Fake News e seus impactos no tecido social, constata-se que esse direito não tem sido assegurado na prática. Logo, é imprescindível enunciar o aspecto sociocultural e a insuficiência legislativa como pilares fundamentais da chaga.

Em primeira análise, torna-se evidente a influêcia do fator sociocultural. Sob tal perspectiva, é oportuno assinalar que, conforme o pensador Émile Durkheim, a sociedade deve ser analisada de maneira crítica e distanciada do senso comum. Nesse sentido, a proposta do sociólogo pode ser aplicada quando se analisa a tendência da população em acreditar em tudo que está na Internet, muito embora grande parte da informação contida nela seja enganosa. Destarte, discorrer criticamente a problemática é o primeiro passo para um país equânime.

Ademais, é cabível pontuar que a infeficácia das leis corrobora com a persistência da vicissitude. A esse respeito, o filósofo grego Aristóteles afirmou que o objetivo da política é promover a vida digna dos cidadãos. Nessa lógica, a conjuntura vigente contrasta o ideal aristotélico, posto que as leis presentes são incapazes de impedir o intenso fluxo de notíciais enganosas pelas redes sociais, resultando na mudança da consciência coletiva acerca de temas relevantes, como ocorreu nas eleições americanas de 2016. Assim, medidas precisam ser tomadas pelas autoridades competentes a fito de atenuar o revés.

Infere-se, portanto, que o imbróglio abordado necessita ser solucionado. Logo, a mídia, por intermédio de programas televisivos de grande audiência, deve discutir o assunto com especialistas nessa área, com o objetivo de mostrar as reais consequências do problema e alertar a população a respeito do impasse. Essa medida ocorrerá pela elaboração de um projeto estatal, em parceira com as emissoras de televisão. Em adição, o Congresso Nacional irá formular artigos jurídicos com o propósito de intensificar a punição àqueles que formulem conscientemente Fake News. Feito esses pontos, a sociedade brasileira deixará de ser uma comunidade de papel, como enfatizou Dimenstein.