Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 28/01/2018

A pós-verdade, eleita palavra do ano 2017 pela Universidade Oxford, trouxe a tona uma série de eventos cada vez mais comuns na era digital: as notícias inverídicas. Apesar da efemeridade dessas divulgações, é importante reconhecer que elas podem afetar a dignidade individual e a segurança coletiva. Logo, é fundamental que a sociedade se responsabilize pelos riscos inerentes a tal prática.

A internet, por meio de seu alto poder de propagação, dissemina informações falsas capazes de desabonar alguns cidadãos. Segundo Joseph Goebbels, uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade. Se na Alemanha nazista, esse preceito era estratégia de manipulação, na pós-modernidade é possível um controle ainda maior. Assim, a facilidade de se fabricar um episódio e repercuti-lo é usada como ações depreciativas, de influência e de vingança.

Ademais, boatos alarmantes constituem arma política coletiva, como ocorre no incentivo à xenofobia, uma vez que as ameaças sociais são utilizadas conforme interesses de grupos minoritários. Dessa forma, as pessoas precisam checar as fontes para não ficarem submissas à manipulação midiática. Como disse José Saramago, em Ensaio sobre a cegueira, é preciso não apenas ver, mas reparar e analisar o que está ao redor.

Urge, portanto, que medidas desmotivem esse tipo de ação. Cabe ao Estado encorajar a implantação de empresas de checagem de fatos, por intermédio de incentivos a agências que respeitem a legislação e a idoneidade moral. De mesmo modo, aplicativos e provedores devem sugerir aos usuários postagens que pareçam falsas, a fim de estimular a vigilância epistêmica em sites e redes sociais. Espera-se, então, que uma mentira ainda que compartilhada uma única vez, passe a ser questionada, mesmo que pareça legítima e conveniente.