Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 04/03/2025

Em 2014, na cidade de Guarujá, uma mulher foi espancada até a morte, após boatos de que ela praticava “magia negra” com crianças se espalharem rapidamente nas redes sociais. O caso revela a ausência de freios nas plataformas, mostrando um dos perigos das fake news para a sociedade. Assim, faz-se necessário avaliar em que medida a falta de uma educação emancipadora e a ausência de controle são alicerces que sustentam o problema.

Isso posto, uma educação libertadora reduziria o espalhamento das fake news. Nesse sentido, o sociólogo Paulo Freire, em “Pedagogia da Autonomia”, defende que a educação deve formar sujeitos críticos na interação com o mundo. Desse modo, uma relação menos autônoma com a informação faz com o que o usuário a compartilhe sem checar sua veracidade. Exemplo disso é a disseminação de notícias falsas, como as de “magia negra”, sem a devida verificação por cada indivíduo. Assim, uma educação emancipadora, no sentido Freiriano, é essencial.

Ademais, a ausência de controle sobre algoritmos agrava o revés. Sob essa ótica, o historiador Harari, em “21 Lições para o Século 21”, destaca que as redes sociais lucram com a desinformação, pois são essas as que mais viralizam. Dessa forma, as plataformas fazem “vista grossa” para o problema das fake news. Para ilustrar, podemos citar o imbróglio entre a rede social “X” e as decisões do Supremo Tribunal Federal, em 2024, quando este impôs ao “X” medidas legais, havendo resistência da plataforma em se adequar à legislação brasileira. Logo, a regulamentação mais rigorosa das redes sociais é urgente.

Portanto, nota-se a necessidade de reverter o panorama atual. Para isso, o Ministério da Educação - responsável pela alfabetização - deve ampliar o Plano Nacional de Educação, cujo princípio norteador passará a ser uma alfabetização mais ativa, por meio da qual a autonomia do aluno será fortalecida. Essa ação visa formar cidadãos mais críticos na relação com a informação. Além disso, o Poder Legislativo deve criar leis rigorosas para punir plataformas que não respeitem a soberania das leis brasileiras, no que tange as fake news. A finalidade de tal medida é fazer imperar a lei, mesmo em ambiente virtual. Somente assim, casos como o ocorrido em Guarujá, em 2014, poderão ser mitigados.