Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 05/04/2018
No livro Fahrenheit 451, de Ray Bradubury é proposto uma descrição de um governo totalitário, que censura qualquer tipo de leitura e informação que não seja dita pelo governo. No entanto, tal descrição é completamente o inverso do que se observa, no Brasil, nos dias que correm, pois no cenário da liberdade de expressão do século XXI e com a facilidade do uso da internet, qualquer pessoa pode criar informações e compartilhar outras. Este recurso pode ser muito bom para a sociedade, mas ele carrega consigo seus perigos, como os das fake news. Nesse sentido, convém analisar as principais consequências de tal postura para o corpo social.
É irrecusável que é necessário maior atenção para os perigos das noticias falsas, pela redes sociais.
Em 2014, um boato de uma rede, acabou matando uma mulher do litoral de São Paulo, porque uma publicação que estava sendo compartilhada por milhares de pessoas, dizia que Maria de Jesus, sequestrava crianças para usar em pequenos rituais de magia negra e dessa forma alguns revoltosos, com a postura dela se juntaram para matá-la. O maior problema das fake news, entretanto, não é apenas espalhar noticias falsas pela internet e sim os seus rumos que são tomados na vida ‘offline’, trazendo uma série de consequências, assim como observado no caso de Maria.
Outrossim, destaca-se que o compartilhamento sem o censo crítico, age como impulsionador do problema. O Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso á Informação (GPOPAI), da Universidade de São Paulo (USP), fez um levantamento e de acordo com ele, 12 milhões de Brasileiros compartilham informações falsas, sem ao menos saberem que seu conteúdo é ilusório. Por conta dessa adversidade, observa-se a necessidade em diminuir esses compartilhamentos, afim de outras pessoas não serem também influenciadas pelas fake news.
É perceptível, portanto, que há entraves para garantir o solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Destarte, é necessário o comprometimento da população para a identificação das fake news e o seu não compartilhamento, essa prevenção pode ser feita através da investigação da notícia, pesquisar o assunto em outras plataformas, atenção para a data de publicação, para assim promover o censo crítico e não distribuir conteúdos falsos para outras pessoas. Assim, como dito pelo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir nas escolas, palestras para o ensinamento digital, para que ocorra a médio e longo prazo uma maior noção da população sobre como agir perante a essa situação. Dessa forma, o povo facilitará o uso consciente da liberdade de expressão na internet, evitando assim, uma possível censura de informações, gerados por conta de seu uso excedível e inconsciente.