Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 29/03/2018
O drama “The Post” comprova que o fenômeno “fake news” não é recente. Ao descobrir que os relatórios emitidos pelo Pentágono sobre a Guerra do Vietnã eram falsos, a imprensa norte-americana inicia uma intensa batalha judicial contra o Estado pelo direito de compartilhar esses dados. Hoje, a democratização do acesso à internet, apesar de ter garantido inúmeras vantagens socioeconômicas, ampliou a difusão de informações falsas. Esse quadro é preocupante, precisa ser analisado e combatido.
A Revolução Técnico-Científica foi um dos maiores marcos do século XX. Não apenas alterou as estruturas político-econômicas pelo processo de globalização, como também garantiu à sociedade uma alternativa de lazer: a internet. Essa ferramenta possibilitou o compartilhamento massivo de conteúdo entre os usuários de diversas partes do mundo através das redes sociais, como o Facebook. Entretanto, muitos internautas não se atentam a checar a veracidade dos dados e compartilham o que desconhecem, perpetuando, assim, o problema.
A partir disso, órgãos públicos e privados passam a abusar da ignorância do povo com a propagação de notícias falsas. Segundo Michel Foucault, tudo emana poder e pode ser utilizado como instrumento de dominação. Dessa forma, as “fake news” surgem como um meio da classe dominante manter a sociedade sob seu comando ou induzí-la a acreditar no que lhe for conveniente. Por exemplo, as eleições estadunidenses de 2016 foram vencidas após Donald Trump divulgar, em suas redes sociais, vários boatos negativos sobre a adversária Hilary Clinton, o que instigou a população à apoiá-lo.
Portanto, verifica-se que a propagação de notícias falsas tem suas raízes na falta de prudência da população no mundo cibernético e nos interesses particulares da elite. Para combatê-la, é preciso uma ação conjunta entre o Ministério da Comunicação e o da Educação a fim de conscientizar e orientar os internautas, através de palestras, seminários e campanhas publicitárias, sobre os perigos da internet e na necessidade de se verificar as fontes dos dados antes de acessá-los e, posteriormente, difundi-los. Além desse feito, esses órgãos deverão criar uma ferramenta online onde os usuários poderão consultar quais sites são ou não confiáveis, impedindo futuros transtornos. Por fim, é fundamental que o judiciário fiscalize com mais voracidade os crimes virtuais, aplicas multas e ocorrências a quem for contra a lei. Outras medidas deve ser adotadas, mas como disse Oscar Wilde: “O primeiro passo é o mais importante para a mudanção de um homem ou nação.”