Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 04/04/2018

Na epopeia mítica do livro Eneida, Virgílio escreve “O RUMOR é a mais veloz das pragas malignas”. Passados mais de vinte séculos da saga de Eneias as notícias falsas, também conhecidas como Fake News, são cada vez mais atuais e buscam disseminar inverdades sobre pessoas, partidos políticos, países, empresas, dentre outras finalidades. Concomitantemente constata-se, através do cotidiano virtual, que as tecnologias estendem as barreiras demográficas, democratizam a veiculação e possibilitam, na maioria dos casos anonimato ao emissor. Nesse contexto, é evidente que o desafio de promover e buscar informação, de maneira segura, tem se tornado um grande desafio.

Convém ressaltar, a princípio, que a existência de imprensas engajadas na comunicação faz parte de uma construção histórica. No império Persa, por volta de 535 a.C, o rei Ciro possuía um organizado sistema de correios. Dispunha de cavalheiros localizados estrategicamente em diferentes pontos do percurso, no qual esses passavam a mensagem sequencialmente até o destino, tornando a transmissão de mensagens mais veloz e eficiente. Paralelo a necessidade da população, as formas de exibição das informações e notícias são cada vez mais diversas. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), para 47% dos brasileiros, a internet é a principal fonte de informação. Em 2016, reportagens mostraram que boa parte do conteúdo compartilhado na internet durante as eleições nos Estados Unidos eram sites de notícias falsas. Tal fato, reflete a vulnerabilidade de informações distorcidas ou omitidas que são facilmente elaboradas e divulgadas.

Outro ponto relevante, nessa temática, é o conceito de Pós Verdade, eleita como palavra do ano pelo dicionário britânico Oxford em 2016. O termo retrata uma sociedade que valoriza perspectivas pessoais e ignora a realidade. Atualmente, o frenético ciclo de notícias facilita mal julgamentos e a propagação dessas como verdade. A Agência Lupa foi a primeira composição jornalística, no Brasil, de verificação de fatos. Esse tipo de organização trata-se de uma apuração jornalística, que checa ocorrências, confrontando histórias com dados, pesquisas e registros. Por conseguinte, a verificação de notícias não é simples, sendo um dos principais motivos do vasto desvio de informações.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse problema. Cabe ao Ministério da Educação promover cursos de informática para serem desenvolvidos no ensino básico de ensino, o qual promovam atividades de pesquisas em diferentes áreas do conhecimento, que favoreçam o processo de ensino-aprendizagem. Consequentemente a sociedade no geral terá maior preparo na seleção de Fake News, logo, desenvolverá o conhecimento, principal instrumento que permite aos homens estabelecer um pensamento crítico, como defendia o filósofo Platão na Alegoria da Caverna.