Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 05/05/2018
Em 1990, Nayirah, uma menina kuwaitiana de quinze anos, fez um discurso emocionante no Congresso dos EUA, no qual denunciava supostas atrocidades cometidas pelos soldados iraquiano no Kuwait, com isso o governo norte-americano conquistou o respaldo da população e declarou guerra ao Iraque. No entanto, hoje, se sabe que tudo não passou de uma “fake news”, ou seja, uma notícia falsa disseminada com o objetivo de manipular a opinião pública. Desse modo, fatos históricos comprovam que essas inverdades podem causar graves consequências para a sociedade, como a tomada de decisões políticas precipitadas e a ocorrência de crimes de ódio. Assim, cabe à imprensa, à mídia digital e à sociedade civil realizar medidas que minimizem a propagação de mentiras.
De acordo com o historiador Boris Fausto, em 1937, Getúlio Vargas instaurou o Estado Novo, utilizando como justificativa a necessidade de um golpe político para evitar que grupos comunistas tomem o poder e promovam insurreições no Brasil. Todavia, na realidade, os apoiadores de Vargas orquestraram essa situação e formalizaram um documento falso, o Plano Cohen, que foi divulgado nos programas de rádio para que houvesse obtenção de apoio popular. Assim, esse fato foi uma das primeiras “fake news” ocorridas no Brasil, e teve como consequência a implantação de um regime ditatorial que restringiu a liberdade de milhares de brasileiros. Portanto, é importante que sociedade e mídia estejam atentos as notícias que envolvam decisões políticas importantes, visto que as mentiras podem ser utilizadas como estratégia para obtenção e manutenção do poder.
Segundo o Jornal Folha de São Paulo, uma senhora moradora do Guarujá foi espancada até a morte por populares, após terem sido divulgados na internet, boatos falsos que alegavam o envolvimento dessa mulher em rituais de magia que utilizavam crianças. Diante disso, é importante que todos percebam uma das facetas mais perigosas das notícias falsas, o estimulo aos crimes de ódio, pois muitos usuários das redes sociais compartilham notícias falsas sem checar a fonte, bem como anexam discursos exaltados que estimulam a violência, o que fomenta a ideia fazer justiça com as próprias mãos.
Logo, nesse contexto, no qual a mentira prevalece sobre verdade cabe a frase do escritor George Orwell, “falar a verdade é um ato revolucionário”. Assim, a imprensa deve seguir os princípios básicos do jornalismo e checar a fonte das notícias antes de veiculá-las nos programas de rádio e televisão, já a sociedade pode evitar o compartilhamento de boatos e o discurso de ódio nas redes sociais, pois essa atitude colabora para a ocorrência de manifestações violentas. Por fim, as redes sociais devem exigir que os usuários insiram a fonte em uma postagem sobre temas relevantes ou polêmicos.