Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 03/06/2018
A calorosa eleição dos EUA -disputada por Donald Trump e Hillary Clinton-, movimenta debates e investigações acerca da influência das notícias falsas diante do resultado obtido pós apuração dos votos. Analogamente, quando se observa o papel das Fake News, verifica-se que essa está presente em a toda conjuntura mundial. Desse modo, o problema persiste, seja pela ascenção da globalização associada ao sistema capitalista, bem como pela tentativa de romper com a integridade moral de outrem, acarretando diversas consequências.
A princípio, é importante notar que a globalização e o consequente advento da internet, relacionado com o capitalismo, é um fator preponderante para manutenção do problema. Assim, a facilidade de publicar informação falsa diante das redes sociais, gerando ,desse modo, milhares de “clicks” e compartilhamentos, atrái internautas que veem nessa situação uma oportunidade de gerar lucro com a exibição de propagandas em suas “notícias”. A esse respeito, o geógrafo Milton Santos diz que, por trás de um capitalismo que deu certo, existe, na realidade, vários problemas sociais gerados pelo sistema hiper-capitalista, tal como a disseminação de notícias falsas.
Ademais, vale salientar, ainda, que a falta de empatia leva ao uso das notícias fakes para denegrir uma pessoa física ou jurídica. Nesse interím, tornou-se comum casos de difamação à empresas, políticos - como explícita durante as eleições estadunidenses- e figuras midiáticas: tudo em função de abalar a imagem do concorrente ou inimigo. As consequências desse ato, uma vez que na grande maioria das vezes o compartilhamento da notícia é feita sem checagem algum por parte do leitor, pode destruir a carreira alheia ou ainda ser responsável por perseguição e morte. A exemplo disso têm-se o caso da “Bruxa de Guarujá”, no Brasil, em que uma mulher acusada de realizar práticas de magia negra com crianças foi brutamente assassinada pelos vizinhos.
Torna-se evidente, portanto, que a disseminação das Fakes News vêm tomando proporções gigantes e acarretando graves problemas, sendo necessário uma intervenção a fim de mudar esse paradigma. Sob essa perspectiva, as Escolas, em cossonância com a Mídia televisiva e da web, deverão, respectivamente, produzir cartilhas e debates ministrados por profissionais da área de tecnologia, além de campanhas governamentais, ambas visando promover uma educação digital, ensinando a adultos e crianças à identificar Fake News bem como os maus resultados de um compartilhamento sem a devida avaliação da notícia. Assim, a logo prazo, a educação crítica a qual o filósofo e pedagogo Paulo Freire se referia, será responsável por diminuir a disseminação das informações mentirosas.