Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 02/04/2018
Com o desenvolvimento tecnológico dos meios de comunicação, o acesso à informação, assim como a liberdade de exposição de conteúdos, foi ampliado. Contudo, esse avanço acarretou o surgimento e a intensificação da emissão de “fake news”. Nesse contexto, a insuficiente fiscalização, aliada à inatividade populacional no que tange ao exercício crítico de busca às fontes emissoras das informações, corrobora a disseminação dessas notícias falsas e configura uma lacuna ao acesso a informações verdadeiras.
Em primeira análise, ressalta-se que as “fake news” possuem fundamentação difamatória, de manipulação e desconfiguração da verdade. Nesse ínterim, o uso desse artifício manipulativo, caracterizado como crime, necessita de fiscalização constante para atenuação dos seus efeitos. Todavia, a facilidade hodierna de exposição de conteúdos no meio digital gerou um cenário de massiva emissão de informações, aspecto que configura uma dificuldade para a análise da veracidade dos fatos por parte dos órgãos de ficalização. Ademais, salienta-se a inexistência de um órgão, de atuação no plano digital, direcionado à recepção de denúncias sobre notícias falsas presentes na internet — fato que auxiliaria o combate à problemática e facilitaria o controle das fontes disseminadoras dessas inverdades.
De modo análogo, o compartilhamento ingênuo, desprovido do exercício crítico de análise da confiabilidade das fontes emissoras de informações, de notícias por parte da população, amplia o alcance das “fake news” e intensifica seus efeitos. Segundo o sociólogo alemão Jürgen Habermas, “a sociedade é dependente da crítica às suas próprias tradições”, fato que evidencia a necessidade de absorção de novos hábitos. De acordo com o sociólogo, o alcance do entendimento decorre da ação comunicativa, portanto, à medida que for ampliado o debate sobre a necessidade da fiscalização populacional das informações transmitidas, maior a probabilidade dos indivíduos começarem a desenvolver esse exercício crítico.
Urge, portanto, que medidas sejam realizadas para a resolução da problemática. Mormente, compete às Secretarias de Segurança Pública o desenvolvimento de uma plataforma digital para a recepção de denúncias de internautas acerca de supostas notícias inverídicas, com o fito de analisar e efetuar a retirada de informações falsas da internet. Paralelamente, cabe ao Ministério da Educação a promoção, nas escolas, de palestras sobre “fake news”, com o objetivo de ampliar o debate sobre a fiscalização que deve ser feita pelos indivíduos acerca da confiabilidade das fontes emissora de notícias. Dessa maneira, talvez seja possível atenuar os perigos das “fake news” no Brasil.