Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 02/04/2018

É de conhecimento geral que atualmente as redes de comunicações são muito importantes para a manutenção da sociedade contemporânea. É mediante tal sistema que as relações são facilitadas. No entanto, como as informações passaram a alcançar grandes proporções, as notícias falsas ganharam bastante espaço. Nesse contexto, as “fakes news” são propagadas e se passam por notícias verídicas, o que dificulta a identificação e viola o direito de defesa sobre os fatos divulgados. Diante disso, tornam-se passíveis de discussão a influência que tais notícias alcançam e como combatê-las.

A divulgação e difusão de notícias falsas não é uma invenção do século XXI: ainda no final da década de 1930, o governo de Getúlio Vargas utilizou desse artifício para poder dar um golpe de estado e permanecer no poder. Nesse mesmo caso, Vargas acusou a oposição de querer implantar o regime comunista no Brasil, o que gerou uma grande convulsão no país. Esse pensamento pode encaixar-se perfeitamente na alusão feita pelo sociólogo Roberto DaMatta à propagação inverídica de notícias: enquanto a desonestidade valer a pena, a mesma prevalecerá. Dessa forma, o que deveria se caracterizar como um avanço tecnológico é motivo de preocupação.

Calúnia, injúria, difamação e incitação ao homicídio. Muitas são as maneiras em que as “fake news” se expressam no mundo. Sobre essa mesma ótica, segundo estudos do Instituto de Pesquisas da USP, a veiculação de notícias falsas criou um marcado informacional extremamente lucrativo, no qual o lucro é obtido em quantidade proporcional à quantidade de visualizações e cliques que tais notícias difundidas recebem. Partindo dessa verdade, surge-se a necessidade de se revisar o papel do Estado e da sociedade frente à difusão de notícias falsas.

Parafraseando o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um corpo e necessita que seus órgãos estejam sadios para o pleno funcionamento. Tomando como norte a máxima do autor, para que a veiculação de notícias falsas acabe, são necessárias medidas concretas que tenham como protagonistas a tríade Estado, mídia e escola. O Estado deverá criar leis que punam os criadores das “fake news”, com efeito, inúmeros outros crimes irão diminuir - calúnia e incitação ao homicídio; a mídia deverá veicular informações a cerca das notícias falsas em programas de grande audiência, com a finalidade de desmentir tais inverdades; a escola, por seu caráter formador, deverá incluir matérias como educação digital, que possa ensinar a identificação de notícias falsas e como denunciar. Somente assim, honestidade, liberdade de expressão e credibilidade serão mais do que palavras, se tornarão perspectivas.