Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 07/04/2018
Durante as campanhas presidenciais estadunidenses em 2016 e seu primeiro ano de mandato, o presidente Donald Trump tornou popular o termo “Fake News”, expressão que se refere à notícias tendenciosas divulgadas como verídicas, embora não sejam. A frase se popularizou na Internet, local de maior incidência de matérias que contenham tais informações. Diante de todos os questionamentos levantados frente às discussões desse tema, cabe ainda o questionarmos qual o valor da verdade e da ética nos dias atuais.
Fatos recentes apontam que tanto a eleição de Trump quanto a saída do Reino Unido da União Europeia, intitulada de Brexit, foram influenciadas pelas Fake News. Ao levar a população a acreditar em coisas não verídicas, os agentes midiáticos se assemelham aos sofistas. Estes filósofos não se preocupavam com a veracidade do que era dito, buscavam apenas persuadir seus ouvintes, mudando suas opiniões para o que lhes era conveniente. Ao agir de tal forma, a mídia deixa de cumprir seu papel de propagar notícias e passa a ser um agente manipulador de massa, abandonando a ética, que, segundo Aristóteles, tem como propósito estabelecer a finalidade suprema (a felicidade dentro de uma sociedade), para alcançar seus interesses próprios.
Um dos grandes artifícios adotados pelos criadores de Fake News tem sido a utilização da pós-verdade, que ocorre quando os fatos objetivos não têm tanto valor quanto apelos emocionais ou às crenças pessoais. Assim, utilizam princípios populares para envolver uma maior parte da população e aumentar seu alcance. Como as informações falsas sobre a vida da vereadora carioca Marielle Franco que circularam após seu óbito. Ao compartilhá-las, muitas pessoas o faziam porque, além de acreditarem que eram verdadeiros, os dados presentes iam ao encontro de valores pessoais comuns à população brasileira. Após manifestações do PSOL, partido do qual a vereadora fazia parte, apontando as publicações como calúnia, estas foram apagadas.
Não há uma maneira fácil e rápida de se resolver o problema, considerando que a cada minuto milhares de novas informações são postadas na internet e selecionar quais chegariam ou não aos indivíduos configuraria censura. No entanto, algumas medidas podem ser tomadas para uma redução da quantidade de publicações desse tipo. Além de aprovar projetos de leis já propostos acerca da publicação de Fake News, o Poder Legislativo poderia corroborar também leis contra calúnias e injúrias nos ambientes virtuais. Ademais, as redes sociais deveriam investir ainda mais na denúncia de publicações duvidosas por seus usuários. Tirando-se a credibilidade de sites difusores de matérias inverídicas e reduzindo seus alcances, a mídia poderia voltar a cumprir seu papel.