Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 03/04/2018
Fabiana Maria de Jesus, moradora do Guarujá, no litoral paulista, foi espancada até a morte por moradores da cidade em 2014. O assassinato foi consequência da divulgação de boatos sobre Fabiana que, supostamente, estaria envolvida em rituais de “magia negra”. O caso de Fabiana mostra, de forma extrema, os perigos causados pela divulgação de notícias falsas, as chamadas “fake news”. Sendo assim, infere-se que medidas devam ser tomadas para combater esse problema e suas consequências.
Claramente, um dos maiores fatores que propiciaram à sociedade humana atingir a complexidade que possui atualmente foi o acúmulo de conhecimentos transmitidos, ao longo do tempo, entre as diversas gerações. Exemplo disso é a chamada Terceira Revolução Industrial, que proporcionou à humanidade sua imersão num mundo de tecnologia e informação. No entanto, a falta de preparação da sociedade para receber tamanha quantidade de informações gerou uma população passiva, que utiliza a tecnologia como mera expectadora. Dessa forma, a divulgação de “fake news” é facilitada pois não encontra como obstáculo um leitor capaz de desmentir notícias (falsas) bem escritas.
Apesar de ser incontrovertível dizer que as mídias sociais possuem impactos positivos na sociedade, as redes gratuitas como o Twitter, o WhatsApp e, principalmente, o Facebook, facilitam a divulgação de notícias falsas e seus consequentes compartilhamentos. Sem a instrução para detectar uma “fake news”, a cidadão a compartilha com seu grupo de amigos virtuais, que, por suas vezes, também compartilham com seus conhecidos, fazendo a notícia alcançar um grande número de pessoas num pequeno espaço de tempo. Dessa forma, cria-se uma massa populacional de manobra que se julga bem informada acreditando fielmente em notícias falsas, e que, assim, contribuem para a manipulação informacional muito almejada por algumas empresas e grupos políticos.
Isso posto, faz-se necessário ações de intervenção para combater os perigos causados pelas “fake news” na era da informação. Ao poder judiciário, cabe a aprovação de projetos de lei, como a do deputado L. Carlos Hauly, que promovam a criminalização do compartilhamento de notícias falsas; através de investigações dos sites de notícias, promover-se-á uma clareza de informações online e a devida punição aos causadores de transtornos na comunicação da sociedade. Além disso, cabe ao Ministério das Comunicações a criação de um aplicativo para smartphones que, além de instruir a população a como identificar uma notícia falsa, também promovam sua denúncia, facilitando a promoção de um jornalismo online mais honesto e promovendo a participação popular nas ações públicas. Assim, o uso da internet na era das informações será mais seguro e, esperançosamente, casos como o de Fabiana não serão mais noticiados.