Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 03/04/2018
No Brasil, durante as eleições presidenciais de 1921, o jornal Correio Da Manhã atribuiu ao candidato Arthur Bernardes a autoria de cartas que questionavam a moralidade de seus opositores. Posteriormente, após investigações, descobriu-se que as cartas eram falsas e que tal caso era uma tentativa de fraude política. Diante desse acontecimento, vê-se que a disseminação das “fake news” não é restrita à contemporaneidade e mostra-se extremamente nociva à sociedade. Cabe, portanto, analisar os fatores e consequências dessa problemática no cenário vigente.
Em primeiro plano, é válido destacar que as tecnologias atuais e a sua grande capacidade de difusão de dados em um curto período de tempo contribuem para que as notícias falsas ganhem força. Indubitavelmente, uma das causas desse fenômeno foi a eclosão da globalização no final do século XX, a qual permitiu que as informações fossem transmitidas de forma muito mais rápida por meio da internet. Tal fato, embora tenha proporcionado maior praticidade à população, inaugurou a chamada “era da pós-verdade”, em que as crenças pessoais têm mais relevância do que acontecimentos cuja veracidade é comprovada. Consequentemente, a população torna-se alienada e despreparada para discernir o que é realidade e falácia, ficando vulnerável a golpes virtuais.
Outrossim, deve-se salientar que a busca por popularidade na web está intrinsecamente relacionada à disseminação das “fake news”. Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a modernidade é considerada “líquida”, pois as relações interpessoais são efêmeras e desprovidas de vínculos estáveis. Assim, diante do enfraquecimento dos laços afetivos no meio coletivo, os indivíduos recorrem às redes sociais para buscar visibilidade, fazendo uso de notícias falsas para gerar polêmicas e obter status . Por conseguinte, os aparatos midiáticos e jornalísticos, o quais fornecem fontes fidedignas ao público usuário, perdem credibilidade. Esses, por não alertarem a sociedade com frequência acerca das formas de identificação de dados falaciosos na internet, acabam perdendo espaço para grupos restritos que se autopromovem ilegalmente no meio virtual.
Destarte, fica clara a necessidade de superação da constante disseminação das “fake news” no contexto atual. Para tanto, é dever da imprensa, mediante a realização de campanhas publicitárias, divulgar maneiras de combater e reconhecer notícias falsas na internet, contando com o auxílio de especialistas em segurança digital. Tal medida visa impedir a alienação da população e fortalecer o trabalho do jornalismo profissional, o qual fornece ao público dados confiáveis e comprovados. Só assim, as redes sociais deixarão de apresentar perigos à sociedade contemporânea.