Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 06/04/2018

Desde a Grécia Antiga, o filósofo Sócrates combatia o ensino calunioso dos chamados Sofistas, os quais, segundo o pensador, dominavam a arte da retórica e do convencimento, mas não tinham o compromisso com a verdade. Partindo desse pressuposto, hodiernamente, a problemática relacionada as Fake News, haja vista amplos interesses, bem como a ineficaz educação tecnológica populacional, revelam-se como as contradições mais perversas de uma sociedade Técnico-científica-informacional. Nesse viés, convém analisar as vertentes que englobam tal empecilho.

Em primeiro plano, é indubitável que a disseminação de notícias falsas age sob o aspecto de interesses diversos. De modo geral, tais notícias possuem tons alarmantes e o pedido de compartilhamento é enfático, contribuindo para sua dispersão, o que, de fato, favorece empresas que lucram com o número de cliques e visualizações de propagandas em tais sites. Ademais, as motivações políticas ocupam um papel preponderante, tendo em vista que, de modo a fortalecer determinado grupo, tais indivíduos encarregam-se de denegrir a imagem de terceiros, fazendo o uso da divulgação de informações falsas para atingirem tais objetivos. Nesse âmbito, o Plano Cohen no século passado evidencia tais interesses, na medida em uma mentira foi criada para servir de pretexto para que Getúlio Vargas se mantivesse no cargo de presidente da República.

Outrossim, ao descortinar o século XXI, a rápida propagação de informações pela internet, juntamente com a mínima educação digital da população, têm sido campo fértil para a proliferação de informações enganosas. Nesse sentido, conforme propôs o filósofo Pierre Bourdieu, a sociedade incorpora, naturaliza e reproduz ideais impostos à sua realidade. De fato, o avanço das redes sociais, a exemplo o Facebook e Twitter, têm propiciado informações instantâneas aos indivíduos que, sem uma análise mais apurada de sua veracidade, acabam, por vezes, sobrepondo suas emoções e crenças pessoais em tais fatos, repassando determinadas inverdades.

À vista de tais preceitos, as Fake News, configuram-se uma chaga social que demanda imediata resolução. Para que se minimize esse cenário caótico, portanto, faz-se necessária a atuação governamental, por intermédio do Ministério da Educação implementar na base curricular do Ensino Médio, por meio de palestras e debates mediados pelos próprios professores, envolvendo pais e alunos, “alfabetizando” tais indivíduos no que se refere a uma visão mais crítica acerca da veracidade do que se encontra no ambiente digital. É imprescindível, ainda, a criação de um órgão governamental que disponibilize certificados (carimbos digitais) para sites e blogs que veiculem notícias verdadeiras. Assim, inspiramo-nos nas belas palavras de José Saramago: “se podes olhar vê; se podes ver, repare!”