Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 06/04/2018
“Nem sempre é fácil distinguir o que é bom do que é mau”. A frase do pintor Hieronymus Bosh, reproduzida no quadro As tentações de Santo Antão, parece fazer alusão ao comportamento humano na contemporaneidade, especialmente na atual sociedade do descaso, em que a falta de ética, na maioria das vezes, parece inferir cada vez mais no modo de agir da população. Essa perspectiva, acerca dos perigos das Fake News na era da informação, é fomentada, principalmente, pela dificuldade de punidade dos acusados, devido aos atos praticados rotineiramente, e pela ineficiente política estrutural e educacional nos mais diversos meios midiáticos.
Em primeiro lugar,cumpre destacar que embora a liberdade de expressão seja direito assegurado a todos os cidadãos pela Constituição Federal,ela não é,de fato,colocada em prática de forma correta pelos cidadãos.Sob esse viés,o “ouvi dizer”,mesmo antes da escrita,era o único veículo de comunicação nas sociedades,corroborando para as Fake News cujo anonimato na Internet,onde se fala o que se pensa,na chamada “terra sem lei”,em que os diversos meios midiáticos,principalmente as redes sociais,que não necessitam de regras ou de burocracias para as postagens,originam o fato de quaisquer pessoas poder interferir nas informações,dificultando a identificação e fomentando a impunidade dos indivíduos que,muitas vezes,são levados pela máxima “o povo acredita em tudo”.
Em segundo lugar,análogo ao pensamento de Marshall McLuhan,teórico da comunicação,em que diz ser a mídia não apenas um canal passivo para o tráfego de informações,mas capaz de fornecer a matéria e também de moldar o processo de pensamento,mesmo aquelas pessoas que de boa-fé acreditam estar em contato com a verdadeira notícia,passam,ainda sem perceber,a colaborar com a disseminação dessas notícias falsas,seja pela confiança no veículo que transmitiu o fato,seja pelo compartilhamento pelos próprios amigos.Em face disso,o cenário político também é usado frequentemente por grandes publicações,sem a necessidade de esclarecimento ou de definição em suas manchetes, bem como no âmbito jornalístico, em que o indivíduo pode criar a informação e a colocar em tempo real em relatos, vídeos e fotos sem a devida checagem.
Logo,o Poder Público,por meio da implantação de delegacias especializadas na investigação das publicações e na punição dos acusados,bem como a exigência aos mais diversos meios midiáticos da contratação de profissionais qualificados para a postagens das notícias somente se verdadeiras,diminuirá os prejuízos aos cidadãos.A sociedade,juntamente às instituições educativas devem,por meio de palestras,de debates,de propagandas e de campanhas publicitárias,fomentar o senso crítico,usando a educação digital como ferramenta para a mudança de tal cenário mundial.