Os perigos das Fake News na era da informação

Enviada em 09/04/2018

Percebe-se que os perigos das falsas notícias não é uma problemática na era da informação na sociedade contemporânea, pois esses informes de caráter enganoso já existiam muito antes da globalização e do avanço técnico-científico. Entretanto, observa-se uma massificação informacional de caráter apelativo – as “fake news”, que buasca audiência a qualquer custo e expõe lacunas na ética midiática em âmbitos nacional e mundial.

Em primeiro lugar, é inquestionável que, na conjuntura vigente, o ópio do povo é a informação. Desse modo, uma parcela majoritária dos telespectadores e internautas brasileiros se encontram em classes desfavorecidas – sobretudo, educacionalmente. Outrossim, as notícias desvinculados dos preceitos éticos e morais são utilizadas como ferramentas de manipulação da massa por parte da elite dominante. Ademais, o uso de inverdades garante uma alta audiência e um ótimo custo-benefício aos veículos informativos. Portanto, as ideias do sociólogo Karl Marx são identificadas no campo hodierno, uma vez que a aristocracia capitalista utiliza o sensacionalismo como mecânica instintiva de controle das classes.

Nesse contexto, as competições informacionais expõem grandes hiatos nos contratos sociais da esfera midiática nacional e global. Logo, a pós-verdade possibilita a ruptura entre o limite da ética e da imoralidade, desencadeando impactos negativos, além de confrontar um princípio maior, o democrático. Dessarte, as “fake news” reforça o processo de alienação, além de limitar o pensamento crítico de uma parte significativa da população, pois nem todas as pessoas que têm acesso às informações, não necessariamente terão um nível de educação para questionar seu conhecimento empírico e sair do senso comum. Dessa forma, o homem é o que a educação faz dele, já dizia o filósofo Immanuel Kant.

Em vista dos fatos expostos, é notório a busca constante da audiência por meio de informações falsas e táticas antiéticas difundidas pela mídia. Contudo, de maneira análoga à Lei da Inércia, enquanto a força da educação e da iniciativa governamental não agir, uma fração da sociedade brasileira vai continuar sofrendo com as implicações pejorativas proporcionados pelas “fake news”. Isso posto, é necessário que sejam promovidas campanhas publicitárias em campo midiático, promoção de palestras e cartilhas no âmbito educacional que ressaltem a importância do hábito de questionar a veracidade do conteúdo que é divulgado nos meios de comunicação, ensinando aos cidadãos mecanismos para checar se uma notícia tem carga falsa ou não. Assim, como dizia o pai do método hipotético-dedutivo Francis Bacon: “Conhecimento é poder.” Então, através do conhecimento investigativo, o ser humano deixa de viver apenas no senso comum e, torna-se, dono de si mesmo.