Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 09/04/2018
A herança do telefone sem fio
Em 2016, o dicionário Oxford consagrou o termo “fake news” (pós-verdade) como o mais usual desse ano. Congratulação, essa, que não agrada ao desenvolvimento e à manutenção da cidadania - conceito presado em uma democracia - o que resultou na criação do artigo 41 das contravenções penais. Nesse sentido, é evidente que faz-se necessária uma intervenção federal para atenuar os riscos ideológicos e evitar que as constantes calúnias se normalizem com o sistema social.
É importante considerar o princípio fundamental que o quarto poder exerce sobre as questões de posicionamento popular. Ao longo do século XX, os nazistas usaram táticas midiáticas para manipularem os conceitos mundiais e nacionais, disseminando uma imagem de harmonia e equidade entre alemães e judeus, mas hoje sabe-se que aqueles foram responsáveis pela morte de milhões destes. De modo análogo, ainda existem exibições de notícias e informações que influenciam na formação dos caráteres individuais e coletivos das comunidades, colaborando no processo de edificação ou destruição dos preceitos sociais e políticos. A prova disso foi o último processo eleitoral ocorrido nos Estados Unidos, onde notícias falsas, divulgadas em rede nacional, dificultaram a campanha do atual presidente, Donald Trump.
Outrossim, cabe lembrar que as divulgações exponenciais de informações enganosas podem gerar consequências irreversíveis. No mesmo século nazista, o modelo produtivo fordista imperou na economia mundial por meio de etapas repetitivas e simplórias, marcadas pela exploração da massa operária a qual se acostumou com a linhagem vigente. Da mesma maneira, há o risco de que as elevadas conjunturas duvidosas banalizem o processo anabólico das notícias, contribuindo para a fomentação de uma população alienada e despreparada, caso haja estagnação por parte dos órgãos federais
Fica claro, portanto, que deve-se fazer o possível para que as palavras mais usuais expostas pelo dicionário Oxford não sejam regressivas. Por isso, o sistema legislativo tem aprovar uma lei (que já transita pela Câmara dos Deputados) de criminalização para punir quem divulgar e criar “fake news”, mostrando a todos que o poder público cumprirá o papel defensor dos direitos do cidadão. Ademais, o MEC precisa pôr um módulo de como reconhecer notícias falsas, na grade curricular de informática e, em parceria com instituições privadas, desenvolver projetos em comunidades, com a intenção de esclarecer à população sobre a pós-verdade e ensiná-la a prevenir-se, evitando desavenças. Assim, as distorções de entendimento farão parte apenas da brincadeira de telefone sem fio, sem afetar adiante.