Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 15/04/2018
Na Grécia Antiga e no Império Romano, os sofistas ficaram conhecidos como mestres da oratória e da retórica, os quais ofereciam uma didática de convencimento por meio do diálogo, que poderia ser utilizado para manipular debates supostamente democráticos. Nesse sentido, os perigos das Fake News na era da informação, seja pela falta de um pensamento crítico da população, seja pelos interesses particulares dos meios midiáticos, corroboram para uma realidade perversa semelhante as escolas sofísticas. Assim deve-se discutir as vertentes que englobam tal problemática.
Em uma primeira análise, é indubitável que o avanço da tecnologia, juntamente com o engajamento mais elaborado dos meios de informação, contribuíram para uma maior limitação na imparcialidade das notícias. Dessa maneira, os meios de comunicação, por representarem uma significação econômica, política e social tendem à direcionar-se a um ideal particular, repercutindo na propagação de reportagens e propagandas que possuem o mesmo objetivo, qual seja, conseguir apoio social. Essa realidade pode ser elucidada no Plano Cohen, de 1937, na medida em que uma falsa revolução comunista foi noticiada com propósito de manter Getúlio Vargas no poder.
Outrossim, é valido ressaltar a falta de um pensamento crítico dos indivíduos frente as manipulações das notícias. Em consonância com a teoria sobre o “Habitus”, proposto pelo sociólogo Pierre Bourdieu, a sociedade incorpora, naturaliza e reproduz modelos e padrões impostos a sua realidade. Partindo desse pressuposto, uma grande parcela da população insipiente, sem uma base educacional que garanta o mínimo de conhecimento e resiliência sobre os obstáculos das Fake News, colabora para que os indivíduos absorvam tudo que é vinculado em televisões e jornais, bem como em redes virtuais, como verdades absolutas, concretizando uma população alienada incapaz de ter uma análise crítica sobre o meio social em que vive.
É imperativo, portanto, a execução de mecanismos que asseverem uma maior flexibilidade da população frente a essa problemática. Assim, cabe ao Ministério da Educação em paralelo com as escolas, por meio de palestras, seminários e trabalhos, adaptando a capacidade de compreensão de cada série, proporcionar um ambiente que estimule um raciocínio crítico dos jovens e adolescentes acerca da veracidade das informações que circulam. Concomitantemente, passa a ser função do Estado em parceria com a CONAR (sistema de Autorregulamentação Publicitária) uma fiscalização das Fake News, por meio de contratação de especialistas de sistemas de informação, bem como criar um órgão governamental que disponibilize certificados (carimbos digitais) para sites e blogs que veiculem notícias verdadeiras.