Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 14/04/2018
A peneira de Sócrates
Ainda na antiguidade grega, o filósofo Sócrates alertou para o fato de que todo conhecimento deve passar pelas “três peneiras”: a verdade, a bondade e, por fim, a necessidade. Assim, sendo a verdade a primeira delas, fica evidente a importância de constatar a veracidade de notícias anteriormente ao seu compartilhamento. Entretanto, tal alerta tem sido preterido há longos anos na história da humanidade, visto que a propagação de falsas notícias não é um fenômeno recente que, contudo, alcançou seu ápice à medida que os meios de comunicação propiciaram uma rápida disseminação de tais notícias, impactando mais intensamente a sociedade.
Desde a Grécia Antiga, época em que Sócrates combatia os discursos não-verdadeiros dos sofistas, a retórica possibilitou ao homem o poder da farsa e do convencimento. Posteriormente, as “fake news” foram grande influenciadoras de decisões na sociedade. Exemplo disso foi a criação do Plano Cohen, uma falsa ameaça de revolução comunista no Brasil, durante a segunda fase da Era Vargas, que serviu respaldo para a implantação de um governo ditatorial no país.
Outrossim, na sociedade contemporânea, as “fake news” mostram-se um fenômeno cada vez mais crescente. Isso se deve ao fato de que a rapidez na veiculação de notícias, principalmente pelas redes sociais, faz com que o usuário receba uma maior quantidade de informações do que é capaz de absorver, de modo que o compartilhamento desses fatos sejam feitos de maneira rápida e mecanizada em detrimento da busca pela veracidade de tais notícias, acarretando consequências negativas e, muitas vezes, irreversíveis. Exemplo disso foi o linchamento de uma mulher, em 2014, após a propagação de boatos de seu envolvimento em rituais de bruxaria com crianças. É desse modo, portanto, que as inverdades compartilhadas nos veículos de comunicação, são cada vez mais protagonistas de formações de opiniões e decisões ideológicas, políticas e sociais.
Frente ao exposto, fica evidente a necessidade de se combater a propagação das chamadas “fake news” na sociedade contemporânea. Para tal, é imprescindível a atuação da mídia que, por meio de campanhas e propagandas nos meios de comunicação, conscientize a população acerca da importância de investigar as fontes e veracidades das informações recebidas. Além disso, ao Poder Legislativo cabe a instituição de novas leis específicas contra a propagação de notícias falsas em qualquer veículo informativo, a fim de punir seus autores e aqueles que dão continuidade a propagação de tais notícias. Somente fazendo com que a sociedade tenha consciência das consequências das inverdades propagadas será possível propiciar um retorno eficiente ao alerta socrático.