Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 14/04/2018
Desconstruindo a Cordialidade
A expressão “Pós- verdade” foi eleita a palavra do ano em 2016 pelo Dicionário Oxford, referência global na catalogação de novos termos. Esse acontecimento ilustra um cenário no qual os fatos objetivos têm menor capacidade de moldar a opinião pública que crenças pessoais. Nesse contexto, é válido analisar como um período marcado por polarizações políticas e pouca busca por informações pode ser prejudicial a uma sociedade imersa no ambiente virtual das redes sociais.
Em primeiro plano, cabe dizer que vivemos em um tempo de hostilização das disputas eleitorais, no qual as Fake News são grandes armas utilizadas. Como prova desse cenário, é relevante citar a agressividade e a falta de veracidade de muitas acusações trocadas entre os candidatos à presidência norteamericana e seus simpatizantes nas eleições de 2016.Além disso, houve o caso dos boatos divulgados por defensores do Brexit à época do referendo. Dessa forma, percebe-se que a atuação das notícias falsas pode gerar impactos de proporções globais.
Entretanto, além das movimentações geradas por um contexto de polarização política, outro fator que impulsiona a proliferação das Fake News é a falta de interesse crítico pelas informações. Sob essa análise, Zygmunt Bauman já defendia estarmos, hoje, uma crise de atenção. Ou seja, muitas pessoas têm dificuldade de se dedicar a grandes e demoradas leituras e, com isso, são seduzidas por conteúdos chamativos, de limitado senso crítico e sintetizados. Nesse contexto, poucos são aqueles os quais buscam em mais de uma plataforma informações acerca de um mesmo assunto ou a veracidade dos dados observados, o que favorece a aceitação de inverdades.
Fica claro, portanto, que em uma conjuntura de era digital, com rápido espalhamento de conteúdos, um ambiente político conturbado e uma sociedade pouco investigativa favorecem o sucesso das notícias falsas. Com o objetivo de mitigar seus malefícios a curto e longo prazo, as escolas, mediante parcerias com Ongs jornalísticas, podem organizar palestras mensais, nas quais membros dessas organizações tragam aos alunos informações e análises sobre os principais acontecimentos do mês. Ademais, nessas mesmas ocasiões, os profissionais devem incentivar o hábito de buscar notícias em diferentes veículos. Assim, será possível formar uma juventude menos cordial aos moldes de Sérgio Buarque, ou seja, jovens que não ajudarão a espalhar nas redes sociais conteúdos baseados em suas crenças, mas na razão.