Os perigos das Fake News na era da informação
Enviada em 16/04/2018
Na famosa série “Gossip Girl”, acontecimentos e histórias de cada personagem são narrados em um site por uma blogueira anônima, que atende pelo pseudônimo Garota do Blog ou Garota Fofoqueira. Como se não bastasse, em seu blog ela narra os escândalos e propaga rapidamente notícias falsas, que por consequência levam a ações exageradas de certos personagens, desde intrigas e ameaças até ações excessivamente perturbadoras. Como também fora das telas, na era digital a Fake News se tornou algo ousado e grave.
Não obstante Sócrates tenha afirmado, em uma de suas parábolas, que uma informação deve passar pelas “três peneiras”, sendo a primeira a da verdade, a sociedade não tem feito isso. Em virtude do compartilhamento de falsas notícias, muitos mal-entendidos sérios têm sido gerados. Foi o que aconteceu recentemente com o médico Dráuzio Varella. Ele foi vítima da mentira de uma internauta, que o acusou de afirmar que o exame de mamografia poderia gerar câncer. Essa informação errônea pode induzir a não realização do exame.
Em decorrência, pessoas desinformadas abastecem-se de farsas virtuais e habituam-se com cenários de processos jurídicos, frustrações, discussões e descontentamentos, fazendo assim da sociedade um complexo de compartilhamentos impensados e produção de indivíduos condenados pela prática supracitada. É como dito por Paulo Freire que não existe um saber melhor ou pior, mas existem saberes diferentes, ou seja, os baseados em verdades e os provindos de criações irreais.
Outrossim, os boatos sempre existiram. Antes mesmo de existir a escrita, o “ouvir dizer” era o único veículo de comunicação nas sociedades. O rumor é uma prática que pode existir em qualquer grupo ou classe social. Basta lembrar da brincadeira do telefone sem fio, na qual uma mensagem passa de boca em boca. O estudioso francês Kapferer define boato como “uma proposição ligada aos acontecimentos diários, destinada a ser aumentada, transmitida de pessoa a pessoa, habitualmente através da técnica do ouvir dizer, sem que existam testemunhos concretos capazes de indicar exatidão”. Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Por conseguinte, o fator crucial para inibir a propagação de falsas notícias é a construção de uma sociedade mais crítica, capaz de investigar as fontes das notícias que lê, e mais disposta a denunciar autores de mentiras na internet. Para isso, os entes do Governo devem investir, nas instituições que lhes conferem, em folhetos e palestras, que visem a conscientizar, palestras em salas de aula se torna eficaz sobre os riscos de divulgar informações não verídicas. E é importante que as consequências jurídicas sociais sejam explicitadas.