Os perigos do compartilhamento de fotos de crianças nas redes sociais
Enviada em 03/11/2025
O ato de pais e responsáveis compartilharem fotos de seus filhos nas redes sociais, prática conhecida como “sharenting” é motivado pelo afeto e o desejo de celebrar momentos. No entanto, o que parece um gesto inofensivo carrega consigo uma série de perigos subestimados que merecem profunda reflexão. Ao postar uma imagem, o responsável perde o controle sobre ela, abrindo portas para riscos que podem compromete a segurança e o futuro da criança.
Um dos riscos mais imediatos é a violação de privacidade. Informações sensíveis, como a localização geográfica, uniformes escolares ou a rotina familiar, podem ser usadas por criminosos para fins nefastos, incluindo roubo de identidade e, no cenário mais sombrio, o aliciamento e a exploração infantil. A internet, apesar de suas configurações de privacidade, não é um ambiente totalmente seguro, e as imagens podem ser salvas, alteradas e redistribuídas por terceiros mal-intencionados, fora do alcance dos pais.
Ademais, o compartilhamento excessivo cria uma pegada digital permanente para a criança, construída sem o seu consentimento. Aquela foto embaraçosa ou íntima da infância, postada por um adulto, pode ressurgir anos depois, causando profundo constrangimento, cyberbullying e até mesmo afetando oportunidades futuras de emprego ou estudo. A identidade digital da criança, que deveria ser formada por ela mesma na maturidade, é moldada precocemente pelos pais, gerando um potencial conflito emocional e psicológico.
A busca por validação ou engajamento por meio da imagem dos filhos também levanta questões éticas sobre a exploração infantil – um fenômeno em que a criança se torna um “conteúdo” para atender às necessidades dos pais. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) alerta que crianças e adolescentes não deveriam ter uma vida pública online, pois carecem da habilidade cognitiva e emocional para lidar com as consequências dessa exposiçao. É fundamental que os pais exerçam discernimento, priorizem a segurança e o consentimento de seus filhos, e respeitem seu direito de construir sua própria narrativa digital, longe dos olhares predatórios e do rastro permanente da rede. A moderação é, portanto, um ato de amor e responsabilidade.