Os perigos do compartilhamento de fotos de crianças nas redes sociais
Enviada em 07/11/2025
O hábito de pais e responsáveis compartilharem fotos de crianças nas redes sociais, prática conhecida como sharenting, embora motivado pelo afeto e orgulho, esconde perigos significativos que ameaçam a segurança, a privacidade e a saúde mental dos menores. Essa exposição midiática precoce exige uma reflexão urgente sobre os limites éticos e digitais.
Um dos principais riscos é a segurança física e digital. As imagens, uma vez publicadas, saem do controle parental e podem ser facilmente capturadas, manipuladas e utilizadas por pedófilos, criminosos ou para a criação de deepfakes e perfis falsos. Ao fornecer dados visuais e geolocalização, os pais inadvertidamente traçam um mapa de informações que torna a criança vulnerável a grooming e até mesmo a sequestros.
Adicionalmente, o sharenting compromete o direito à privacidade e à autonomia do menor. A criança não tem a capacidade de consentir com a exposição de sua intimidade e, no futuro, poderá se sentir constrangida ou lesada pelo registro permanente de momentos embaraçosos ou vulneráveis. Essa “pegada digital” precoce e involuntária pode acarretar problemas psicológicos, como cyberbullying e danos à autoestima na adolescência.
Portanto, é fundamental que a sociedade e o poder público promovam a educação midiática para os pais. É crucial que as escolas e as plataformas digitais enfatizem as regras de privacidade e os riscos legais e morais dessa prática. O princípio deve ser o do “melhor interesse da criança”, priorizando sua segurança e direito de construir sua própria identidade digital na idade adulta, livre da exposição precoce e irrestrita.