Os perigos do compartilhamento de fotos de crianças nas redes sociais
Enviada em 16/06/2026
Com o avanço tecnológico e a popularização das redes sociais, compartilhar a rotina dos filhos na internet tornou-se um hábito comum entre pais e responsáveis. Embora essa prática surja do desejo de registrar momentos especiais e aproximar familiares, ela também pode trazer riscos para os menores. Nesse contexto, a exposição excessiva de crianças no ambiente digital compromete tanto sua segurança quanto seu direito à privacidade.
Em primeiro lugar, essa superexposição infantil — conhecida pelo termo sharenting — favorece a ação de criminosos virtuais. Tal cenário pode ser relacionado ao pensamento do filósofo Guy Debord. Em sua obra sobre a “Sociedade do Espetáculo”, o autor critica a valorização excessiva da exposição da vida privada. Como consequência, fotos e vídeos aparentemente inofensivos podem ser utilizados para fins criminosos, como a manipulação de conteúdo e a exploração infantil. Além disso, a divulgação de informações sobre a rotina da criança, como escola e locais frequentados, aumenta sua vulnerabilidade.
Além da questão da segurança, esse hábito também fere o direito à privacidade. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garante a proteção da imagem e da intimidade dos menores. No entanto, ao compartilhar constantemente conteúdos sobre seus filhos, muitos responsáveis constroem uma identidade digital sem o consentimento deles. Essa exposição precoce pode gerar constrangimentos futuros e impactar negativamente o bem-estar emocional da criança.
Portanto, é necessário promover o uso consciente das redes sociais e proteger a infância no ambiente digital. Para isso, o Governo Federal, em parceria com as escolas e os meios de comunicação, deve desenvolver campanhas de conscientização sobre os limites da exposição infantil na internet. Essas ações devem orientar as famílias sobre os riscos do compartilhamento excessivo de imagens e apresentar formas seguras de utilização das redes sociais, por meio de palestras, materiais educativos e divulgações online. Dessa forma, será possível garantir a proteção da privacidade, da segurança e dos direitos das crianças.