Os perigos do compartilhamento de fotos de crianças nas redes sociais
Enviada em 16/06/2026
Na obra “1984”, George Orwell retrata uma sociedade sem privacidade. Fora da ficção, a realidade brasileira reflete isso com o sharenting, a exposição exagerada de crianças na internet pelos pais. Esse cenário é um problema grave, motivado pela falta de cuidado familiar e pela baixa fiscalização digital, o que exige medidas urgentes para proteger os menores.
Em primeiro lugar, a busca por curtidas muitas vezes supera o direito de privacidade da criança. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade atual vive uma “Modernidade Líquida”, em que se busca transformar a vida privada em espetáculo. Ao postarem a rotina dos filhos, os pais esquecem que eles não têm como consentir e os expõem a riscos reais, além disso gerando perigo ao expor onde eles estudam e onde frequentaa. Fotos simples podem parar em redes criminosas ou facilitar sequestros ao revelar rotinas e uniformes escolares, tornando a negligência familiar um vetor de perigo.
Além disso, a falta de leis rígidas e a omissão das plataformas digitais agravam o problema. Embora o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garanta a preservação da imagem dos menores, o Marco Civil da Internet não obriga as redes sociais a barrarem de forma eficaz o compartilhamento dessas fotos. Sem uma fiscalização firme, as grandes empresas de tecnologia lucram com o engajamento desses dados sensíveis, deixando de lado a proteção que deveria ser prioridade absoluta.
Portanto, ações imediatas são necessárias. O Ministério dos Direitos Humanos, junto ao Ministério Educação, deve criar campanhas nas escolas e na mídia para alertar os pais sobre os riscos de expor os filhos na internet, ainda mais na infancia. Ademais, o Congresso Nacional precisa atualizar as leis digitais, aplicando multas severas às plataformas que não removerem rapidamente fotos de menores sob denúncia. Só assim o Brasil garantirá uma infância segura e protegida.