Os perigos do compartilhamento de fotos de crianças nas redes sociais
Enviada em 16/06/2026
A prática do “sharenting” — o compartilhamento da rotina dos filhos nas redes sociais — tornou-se comum na era digital. Embora motivada pelo afeto familiar, essa exposição ignora os limites entre o público e o privado. Assim, o compartilhamento indiscriminado de imagens de menores configura um problema sério no Brasil, impulsionado pela falta de conscientização dos pais e pela insuficiência de leis eficazes no ambiente virtual.
Em primeiro plano, a falta de percepção dos responsáveis sobre os riscos digitais alimenta o problema. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade moderna vive a “espetacularização da vida”, onde a validação social depende do engajamento digital. Ao expor a rotina dos filhos, muitos pais esquecem que deixam rastros perigosos, facilitando a ação de criminosos através do mapeamento de horários e escolas. Logo, a busca por aprovação virtual supera o dever de proteção à infância.
Ademais, a lentidão do Estado em regular o ambiente digital agrava o cenário. Embora o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garanta o direito à dignidade dos menores, a legislação nacional ainda se mostra defasada perante a internet. Sem campanhas públicas de alerta e sem regras firmes para as plataformas, as crianças crescem vulneráveis a danos psicológicos e à perda de autonomia sobre a própria história, já que não escolheram ter suas vidas expostas.
Portanto, medidas urgentes são necessárias para mitigar os impactos dessa prática no país. O Ministério dos Direitos Humanos, em parceria com o Ministério da Educação, deve criar campanhas de conscientização na mídia e palestras nas escolas, orientando as famílias sobre os limites da exposição na rede. Em paralelo, o Poder Legislativo deve atualizar o ECA, estabelecendo diretrizes claras sobre a proteção de dados de menores. Com isso, o Brasil garantirá a segurança e a dignidade de suas crianças.